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Mesmo vacinadas, as pessoas ainda vão precisar usar máscaras e álcool gel, até que boa parte da população tenha sido imunizada e esteja protegida
Mesmo vacinadas, as pessoas ainda vão precisar usar máscaras e álcool gel, até que boa parte da população tenha sido imunizada e esteja protegida
Foto: Kelly Sikkema/Unsplash

Mesmo após início da vacina, não acabam os cuidados

Mesmo depois que tomar as duas doses, as pessoas deverão se proteger contra a Covid-19 até que boa parte da população seja imunizada

Nos últimos meses, a pergunta é: quando vamos tomar a vacina contra o coronavírus? A ansiedade se justifica, afinal, desde que a pandemia começou, há quase um ano, ela fez governos suspenderem ou reduzirem atividades comerciais e festas tradicionais foram adiadas, entre outras restrições. Mas não vai ser a vacina que vai trazer a vida normal de volta em um curto prazo.

“Absolutamente não. Primeiro porque vacina não protege imediatamente, tem que dar um tempo para se proteger. Segundo, precisamos de duas doses. Uma dose não tem a proteção, somente depois de terminar o esquema de duas doses. E terceiro, porque você vai estar vacinado, o resto da população não, temos poucas doses e isso vai aumentar aos poucos”, alerta a diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Flavia Bravo.

Ela mesma explica por que. “O sistema imune tem que ter um tempo pra desenvolver os anticorpos e atingir um nível de proteção. A resposta à primeira dose da vacina não se pode esperar alguma proteção antes de sete, dez dias, porque os anticorpos estão crescendo. Depois da segunda dose, a resposta é um pouco mais rápida, porque nosso organismo faz uma memória, e responde num período mais curto”.

Outro detalhe quando se fala em vacinação é que nem todos podem ser imunizados, ou porque têm alergias ou por terem alguma doença que compromete o sistema imunológico. E, para completar, nenhuma é 100% eficaz, ou seja, elas não protegem integralmente todas as pessoas que foram imunizadas. “Para ter mais segurança, precisa ter a maior parte da população vacinada. Mesmo sabendo que nem todos estarão protegidos, a massa que se protegeu acaba provocando a redução da circulação do vírus e indiretamente protege as demais pessoas”.

Apesar de hoje termos muito mais informações sobre o coronavírus, quando se fala em vacina, não sabemos quanto tempo dura a proteção que ela promove – mesmo porque as primeiras em uso no mundo foram produzidas em tempo recorde, o que é muito bom. “Vamos ter que observar qual é a duração das vacinas, se vai ser necessária uma dose de reforço, ou se o vírus vai modificar e as vacinas vão precisar ser alteradas”.

Assim, é difícil estabelecer um prazo para a volta das atividades. “Tudo vai depender da disponibilidade de vacinas. No curto prazo, podemos ver algumas medidas de distanciamento sendo revisadas, mas isso vai ser gradual, pautado nas informações da ciência, e de acordo com a disponibilidade de doses, para que tenhamos mais segurança em relação à população. Não acredito que nos próximos seis meses esteja liberado geral, temos que vacinar muita gente”, diz a diretora da SBIm.

Por isso teremos que ter um pouco de paciência e manter as recomendações das autoridades sanitárias. “O fato de você ter sido vacinado com a primeira ou a segunda dose não é passaporte para a liberdade. Vamos ter que continuar usando máscara, o álcool gel, o distanciamento social, observando a situação epidemiológica do país, respeitando a nossa proteção e a de toda a população com quem a gente convive, e aguardar o resultado da vacinação”, completa.

Vacina previne contra a mutação do vírus

As mutações do coronavírus que foram identificadas, até agora, estão na proteína S, localizada na "capa" do vírus, em estruturas que se assemelham a espinhos. São elas que se conectam às células, para depois contaminá-las. Até agora, as vacinas desenvolvidas se mostraram eficazes para proteger o corpo contra essas novas variantes. Mas, caso a mudança seja significativa, é possível adaptar os imunizantes. "Alguns têm tecnologias que permitem mudanças mais rápidas, outros um pouco menos, mas é possível alterá-los, para que elas atendam a alguma modificação completa do vírus. Já temos uma carga de informação acumulada que vai acelerar o processo, caso seja necessário", diz Bravo.

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