Oncologistas do mundo todo observam com preocupação o aumento nos diagnósticos de câncer de cólon, que tem afetado cada vez mais pessoas com menos de 50 anos.
Pesquisas conduzidas nos EUA e na Europa apontam essa alta há cerca de cinco anos. Em média, a cada oito diagnósticos de câncer, um ocorre em pessoas jovens, uma taxa considerada anormal entre outras modalidades.
A preocupação cresce também por projeções que colocam o câncer colorretal como uma das doenças mais letais do mundo até 2030, segundo expectativas citadas por especialistas.
Vícios modernos alimentam um mal antigo
Chiara Cremolini, professora titular de Oncologia Médica na Universidade de Pisa e integrante da diretoria nacional da AIOM (Associação Italiana de Oncologia Médica), falou à Adnkronos Salute sobre a doença que recentemente ceifou a vida do ator americano James Van Der Beek, 48.
Em um relatório divulgado em 2024, a oncologista listou hipóteses para o aumento desse tipo de tumor. Entre elas, o avanço do consumo de alimentos ultraprocessados, tabagismo, álcool e também a exposição maior a medicamentos, especialmente antibióticos.
Segundo Cremolini, os ultraprocessados pesam mais porque “estão associados ao desenvolvimento de pólipos no cólon, porta de entrada para o câncer colorretal, se não forem detectados a tempo”.
A oncologista alerta que a adoção desses hábitos não dá sinais de queda. Pelo contrário, a tendência é de aumento, o que pode empurrar ainda mais diagnósticos para faixas etárias mais jovens.
Sintomas da doença
O diagnóstico precoce muda o rumo do tratamento. Entre os sinais do câncer de cólon, alguns aparecem de forma sutil e podem ser confundidos com problemas do dia a dia quando não melhoram:
- Dor abdominal ou desconforto estomacal.
- Alternância entre diarreia e prisão de ventre.
- Cansaço prolongado e intenso.
- Perda de peso sem explicação.
- Sangue nas fezes.
O perigo se intensifica entre os jovens não porque a doença se manifeste de outro jeito, mas porque muita gente ignora os sintomas por achar que a possibilidade de câncer é remota, o que leva a diagnósticos tardios, quando o quadro já está mais avançado.
Em pacientes mais jovens, no entanto, a doença parece ser mais agressiva. “É particularmente agressiva e, apesar do tratamento, os resultados são menos promissores”, disse Chiara Cremolini. Ela afirma que ainda não se sabe o motivo e cita possível ligação com fatores moleculares e biológicos, que variam conforme a estrutura do tumor.




