Cidade do interior de SP libera Mounjaro gratuito para 200 pacientes

Município paulista distribuirá o medicamento de última geração para pacientes de baixa renda que possuem comorbidades

Queda de patente no Brasil pode gerar queda nos preços das canetas

A entrega da "caneta emagrecedora" será feita por meio da rede pública de Urupê | Freepik

A Prefeitura de Urupês, município do interior de São Paulo com aproximadamente 14 mil habitantes e localizado a 420 km da capital paulista, anunciou a distribuição gratuita de Mounjaro (tirzepatida) para o tratamento da obesidade.

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A entrega da “caneta emagrecedora” será feita por meio da rede pública de Urupês. Com isso, a cidade se torna a primeira do estado a disponibilizar a tirzepatida no Sistema Único de Saúde (SUS), em uma abordagem ainda incomum no país.

Devido ao alto preço na rede privada, variando entre R$ 1,4 mil e R$ 3 mil por mês, conforme a dosagem, algumas pessoas recorrem a versões ilegais ou potencialmente falsas da caneta emagrecedora, aumentando o risco à saúde.

Quem poderá receber a caneta emagrecedora?

O projeto municipal prevê a entrega de Mounjaro a até 200 pacientes em situação de vulnerabilidade social, incluindo aqueles que aguardam na fila para a cirurgia bariátrica e não têm condições de arcar com os custos do procedimento.

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Alguns critérios clínicos e sociais são obrigatórios para participar do programa. Confira:

  • Idade igual ou superior a 40 anos;
  • Índice de massa corporal (IMC) ≥ 35 kg/m² com pelo menos uma comorbidade relevante, ou IMC ≥ 30 kg/m² com duas comorbidades;
  • Comprovação de tentativa prévia de tratamento não farmacológico por pelo menos seis meses.
  • Pacientes com IMC acima de 40 kg/m² estarão dispensados do critério de idade.

Além da medicação, os contemplados receberão acompanhamento multidisciplinar pelo SUS, além de suporte de endocrinologista, nutricionista, psicólogo, educador físico e assistente social. A estratégia é considerada essencial por órgãos especializados para o controle de peso.

Como o medicamento funciona?

A demanda e o interesse de Mounjaro são considerados altos entre pacientes e especialistas. O medicamento é usado para tratamentos de diabetes tipo 2 em adultos, auxiliando no controle glicêmico. Ele também é aprovado para controle de peso crônico, ajudando na perda e manutenção em pacientes com obesidade ou sobrepeso.

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A caneta funciona como um agonista duplo, ativando receptores dos hormônios GLP-1 e GIP no organismo. Esta ação combinada aumenta a saciedade e retarda o esvaziamento gástrico, auxiliando na perda de peso.

Projetos de distribuição pelo país

Apesar de ser incomum, a distribuição municipal não é inédita no Brasil. No último mês de dezembro, a prefeitura de Vilhena (RO) implementou um cronograma semelhante ao de Urupês nas unidades básicas de saúde.

Mais de 80 pacientes foram contemplados com IMC superior a 40 comorbidades, como diabetes tipo 2, hipertensão e apneia do sono.

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Incorporação ao SUS ainda enfrenta barreiras

Mesmo com projetos semelhantes ao de Urupês e Vilhena estarem ganhando espaço, a distribuição de medicamentos como o Moujaro no SUS ainda enfrenta um cenário desafiador.

A incorporação de novos medicamentos na rede de saúde pública depende da análise da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologia no SUS (Conitec), responsável por avaliar a eficácia, segurança e custo-efetividade das terapias.

No último ano, a comissão autorizou parecer desfavorável à incorporação de liraglutida e da semaglutida para obesidade, apontando impacto estimado de R$ 4,8 bilhões em cinco anos e incertezas em relação ao tempo de tratamento e ao reganho de peso após a interrupção.

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Ainda que sejam reconhecidas como seguras e eficazes, as terapias foram consideradas economicamente inviáveis para o sistema público. A tirzepatida ainda não foi avaliada pela Conitec.