O nome de Luciano Moreira vem sendo o principal destaque do Brasil dentro da comunidade científica internacional. O entomologista e engenheiro agrônomo foi incluído em dezembro de 2025 na lista “Nature’s 10”, responsável por destacar os cientistas mais influentes do ano.
A revista reconheceu o trabalho e a liderança de Moreira em projetos inovadores de controle de arboviroses em território nacional.
Pesquisa e formação do projeto
Desde a década de 1990, o brasileiro desenvolve métodos alternativos para combater o Aedes aegypti, vetor da dengue, zika e chikungunya Entre os principais resultados do cientista está a criação de mosquitos infectados pela bactéria Wolbachia, capaz de reduzir drasticamente a transmissão do vírus.
Além do avanço científico, a Nature reconheceu a capacidade de Luciano Moreira em transformar a inovação em política pública.
O método com mosquitos Wolbachia, antes restritos a testes laboratoriais, começou a ser adotado por diversas cidades brasileiras e foi inserido na estratégia nacional de saúde pública.
No Brasil, ele trabalhou e liderou os testes pela Fiocruz, desenvolvendo ainda mais a técnica às condições locais. Os estágios iniciais envolviam a produção manual em laboratórios. Atualmente, o processo é industrializado.
Ocupação atual e importância da inovação
Atualmente, Luciano Moreia é CEO da Wolbito do Brasil, companhia que opera uma fábrica em Curitiba com capacidade para produzir até 5 bilhões de mosquitos por ano. A unidade foi inaugurada em julho de 2025 e já abastece estados como Santa Catarina.
De acordo com a Nature, a cidade de Niterói, uma das primeiras a adotar a nova estratégia, registrou uma queda de 89% nos casos de dengue.
Em 2024, o município registrou apenas 46 casos prováveis, contra mais de 20 mil na cidade vizinha, no Rio de Janeiro.
A Wolbachia não infecta humanos e nem se espalha no meio ambiente. Ela está presente em cerca de 60% dos insetos do planeta, impedindo a reprodução ou bloqueando a transmissão dos vírus, dependendo do sexo do mosquito contaminado.
Mesmo com a inovação, Moreira alerta que a soltura de insetos infectados com a bactéria não substitui outras medidas de controle, como a destruição de criadouros. Ele também reforçou a necessidade e importãncia da vacina contra a dengue, introduzida no SUS em 2023.
