Utilizar uma peça de roupa mais de uma vez antes de lavar é algo comum, especialmente se tratando de uma calça ou um jaqueta que não tenha ficado visivelmente muito suja ou com mau odor. Alguns reutilizam também camisetas. Mas, e as meias?
Caso você pense que não há problemas em usar o par de meias novamente antes de lavar, a seguir deve mudar de ideia.
Os pés humanos podem conter até 1.000 espécies diferentes de bactérias e fungos, sendo a região do corpo com maior variedade de fungos do que qualquer outra no corpo humano. A pele dos pés também contém uma das maiores quantidades de glândulas sudoríparas do corpo humano.
O risco de usar o par de meias mais de uma vez antes de lavar
A maior parte das bactérias e fungos dos pés vivem em áreas quentes e úmidas entre os dedos, onde se alimentam dos nutrientes do suor e das células mortas da pele. Os resíduos produzidos por esses micróbios são a razão pela qual os pés, as meias e os sapatos podem ficar com mau cheiro.
Um dos principais exemplos fica por conta da bactéria Staphylococcal hominis que produz um álcool a partir do suor que consome, que causa um cheiro de cebola podre.
A Staphylococcus epidermis, por sua vez, produz um composto com cheiro de queijo, enquanto a Corynebacterium, outro membro do microbioma dos pés, cria um ácido que é descrito como tendo um cheiro semelhante ao de uma cabra.
Quanto mais transpiram, nossos pés deixam mais nutrientes disponíveis para as bactérias se alimentarem. Quanto mais, mais forte será o odor. Como as meias podem reter o suor, isso cria um ambiente ainda mais ideal para as bactérias produtoras de odor.
Além disso, estas bactérias são capazes de sobreviver no tecido por meses, como 90 dias no algodão, por exemplo. Desta forma, ao utilizar as meias sem as ter lavado antes, acaba-se permitindo que mais bactérias cresçam e se multipliquem.
Os micróbios que vêm do chão da casa, academia ou outro local que a pessoa visite, se juntam aos que já vivem nos pés, o que torna a situação ainda pior.
Estudo direcionado
Um estudo analisou o conteúdo microbiano de roupas que haviam sido usadas apenas uma vez e as meias apresentaram a maior contagem microbiana em comparação com outros tipos de roupas.
As meias tinham entre 8 e 9 milhões de bactérias por amostra, enquanto as camisetas tinham apenas cerca de 83.000 bactérias por amostra.
Riscos graves
Muito além do chulé, as meias sujas são vetores de doenças sérias. Fungos como o Cryptococcus, Candida e o Aspergillus encontram nelas o ambiente perfeito para crescer, representando um risco invisível para os pulmões e o sistema digestivo.
Ainda é possível ocorrer a transferência do micróbio para os sapatos, cama, sofá, ou qualquer outra parte que o pé com a meia suja entre em contato, o que aumenta o risco de uma infecção contagiosa que afeta a pele dos dedos dos pés e ao redor deles.
Deste modo, é fundamental evitar que pessoas com pé de atleta não compartilhem meias ou sapatos com outras pessoas e evitem andar apenas com meias ou descalças em vestiários de academias ou banheiros.
Como higienizar da melhor forma
Antes de tudo, é necessário que os pés estejam limpos e que se evite o uso de meias ou sapatos que façam os pés suarem.
Lavar os pés duas vezes ao dia pode ajudar a reduzir o odor dos pés, inibindo o crescimento bacteriano. Optar pelo uso de antitranspirantes para os pés também pode ajudar, pois eles impedem a transpiração, inibindo assim o crescimento bacteriano.
Outra saída seria recorrer ao uso de meias que são diretamente antimicrobianas para as bactérias dos pés, contendo metais pesados como prata ou zinco.
Para quem seguir no uso das meias feitas de algodão, lã ou fibras sintéticas, é melhor usá-las apenas uma vez para prevenir o mau cheiro nos pés e evitar infecções nos pés.
É crucial que as meias sejam lavadas da maneira correta. A lavagem padrão ocorre em água morna, entre 30 e 40 °C com um detergente neutro. Porém, em casos mais profundos, algumas bactérias podem persistir no material neste modo.
Neste cenário, lavar em uma temperatura de 60 °C com um detergente que contenha enzimas é o mais apropriado, pois as enzimas ajudam a remover os micróbios das meias, enquanto a alta temperatura os mata.
Caso a lavagem seja em água fria, passar as meias com um ferro a vapor quente também deve ajudar.
Deixar que o par seque ao ar livre também pode ser uma ajuda útil, uma vez que a radiação ultravioleta da luz solar é antimicrobiana para a maioria das bactérias e fungos das meias.
As informações são do site The Conversation, com a especialista Primrose Freestone, professora de microbiologia clínica na Universidade de Leicester.


