O hantavírus é uma doença viral considerada grave e está diretamente ligada ao contato com roedores silvestres. A contaminação costuma acontecer em ambientes fechados e mal ventilados, onde há presença de fezes, urina ou saliva desses animais.
No Brasil, o Ministério da Saúde acompanha os casos da doença, que aparecem com mais frequência na região Sul do País. Até o momento, não existe registro de transmissão entre pessoas envolvendo a variante brasileira do vírus.
Nos últimos dias, um surto acompanhado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) chamou atenção após casos registrados em um cruzeiro internacional.
Segundo informações divulgadas pelo jornal O Globo, a situação está relacionada à cepa Andes, uma variante rara capaz de ser transmitida entre humanos. Apesar da preocupação, especialistas reforçam que essa linhagem não circula no Brasil.
O que é o hantavírus?
A hantavirose é uma infecção causada por vírus presentes principalmente em roedores silvestres. No Brasil, os animais mais associados à transmissão pertencem ao gênero Oligoryzomys, bastante comum em áreas rurais e regiões próximas à mata.
A doença pode evoluir rapidamente e atingir os pulmões e o coração, provocando uma síndrome cardiopulmonar grave. Embora o número de casos tenha diminuído nos últimos anos, o hantavírus ainda preocupa autoridades de saúde pela alta taxa de mortalidade.
Em 2025, o Brasil registrou 35 casos da doença, sem qualquer relação com o surto ocorrido no navio internacional.
As regiões Sul e Sudeste concentram a maior parte dos registros, principalmente em locais com presença de vegetação, depósitos abandonados e acúmulo de materiais que favorecem a proliferação de roedores. Em situações graves, a letalidade pode chegar a 40%.
Como acontece a transmissão?
A forma mais comum de contágio ocorre pela inalação de partículas contaminadas presentes no ar. Isso pode acontecer durante a limpeza de galpões, celeiros, casas fechadas ou ambientes com sinais de infestação de ratos silvestres.
Também existe risco de transmissão por mordidas ou pelo contato direto com secreções contaminadas. No entanto, o Ministério da Saúde reforça que, no Brasil, não há registros de transmissão de pessoa para pessoa com a variante local do vírus.
O episódio envolvendo o cruzeiro internacional ocorreu devido à cepa Andes, conhecida por apresentar, em casos raros, transmissão interpessoal em ambientes confinados. As autoridades brasileiras destacam que esse cenário não representa risco imediato para o País.
Além disso, locais úmidos, mal higienizados e com acúmulo de sujeira aumentam significativamente o risco de circulação do vírus.
Quais são os sintomas?
Os sintomas iniciais costumam se parecer com os de outras infecções virais, o que pode dificultar o diagnóstico no começo. Os pacientes geralmente apresentam febre alta, dores musculares intensas, dor de cabeça e desconforto abdominal.
Com a evolução da doença, podem surgir tosse seca, cansaço extremo e dificuldade para respirar. O período de incubação varia entre uma e oito semanas, dependendo do grau de exposição ao vírus.
Nos casos mais graves, o hantavírus pode provocar insuficiência respiratória aguda, queda da oxigenação e choque, exigindo internação em UTI e suporte ventilatório. Atualmente, não existe um antiviral específico para combater a doença, e o tratamento é feito com suporte médico intensivo.
Como prevenir a doença?
Especialistas recomendam que ambientes fechados permaneçam ventilados por pelo menos 30 minutos antes da entrada de pessoas, principalmente em áreas rurais ou locais pouco utilizados.
Durante a limpeza, o ideal é usar máscaras do tipo PFF2 ou N95 para evitar a inalação de partículas contaminadas.
Outra orientação importante é nunca varrer o chão seco em locais com suspeita de presença de roedores, já que isso pode espalhar o vírus pelo ar. O recomendado é utilizar pano úmido e produtos desinfetantes.
Manter quintais limpos, evitar acúmulo de lixo e vedar frestas em casas e depósitos também ajuda a impedir a presença de ratos silvestres.
Apesar da repercussão do surto internacional, as autoridades reforçam que as medidas de prevenção no Brasil continuam as mesmas e seguem focadas no controle do contato com roedores.
