Uma descoberta feita no Porto, em Portugal, pode encurtar o caminho entre o diagnóstico e o tratamento completo da insuficiência cardíaca. Segundo investigadores, começar duas terapias em simultâneo mostrou-se viável e seguro.
O resultado chama atenção porque muitos médicos ainda evitam combinar medicamentos logo no início, com receio de efeitos adversos. Agora, o estudo sugere que essa cautela pode ser revista.
Em vez de esperar semanas ou meses entre um remédio e outro, a nova estratégia propõe agir mais cedo. Para quem convive com sintomas limitantes, isso pode representar uma mudança importante no dia a dia.
O que os investigadores descobriram
O estudo foi conduzido pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto e concluiu que iniciar dois tratamentos em simultâneo em doentes com insuficiência cardíaca é viável e seguro. Além disso, pode acelerar o acesso ao tratamento recomendado internacionalmente.
“Esta descoberta é relevante porque muitos médicos hesitam em iniciar vários medicamentos ao mesmo tempo por receio de efeitos adversos. Este estudo sugere que, com acompanhamento adequado, uma abordagem mais rápida é viável e segura”, afirmou o professor e investigador João Pedro Ferreira, em comunicado.
Publicado no Journal of the American College of Cardiology, o trabalho avaliou pacientes com insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida, condição em que o coração tem dificuldade para bombear o sangue de forma eficaz.
Por que isso importa agora
As diretrizes internacionais já recomendam que os medicamentos sejam iniciados o mais cedo possível. No entanto, ainda havia dúvida sobre começar ambos ao mesmo tempo ou seguir o modelo tradicional, em etapas.
Antes deste ensaio, segundo o investigador, não se sabia se era seguro e eficaz iniciar os fármacos em simultâneo ou se seria melhor começar um e adicionar o outro um a três meses depois.
Com a nova análise, os autores afirmam que a estratégia simultânea não aumentou efeitos adversos quando comparada ao modelo sequencial, adotado em muitos casos.
Como o estudo foi feito
Os doentes foram acompanhados ao longo de cerca de seis meses. Durante esse período, os especialistas observaram eventos clínicos relevantes e possíveis complicações relacionadas ao tratamento.
Entre os pontos analisados estavam pressão arterial demasiado baixa, alterações perigosas do potássio, função renal, ida à urgência, hospitalizações por insuficiência cardíaca e mortalidade cardiovascular.
No total, participaram 62 pessoas. Destas, 29 ficaram no grupo que iniciou os dois tratamentos em simultâneo e 33 no grupo sequencial. A idade média foi de 68 anos.
Resultado que chama atenção
“Não houve aumento de complicações graves no grupo que iniciou ambos os fármacos em simultâneo”, garantiu João Pedro Ferreira. O dado reforça a possibilidade de rever práticas atuais.
Segundo o investigador, ao fim de 12 semanas todos os doentes que continuavam no estudo já tomavam ambos os medicamentos. A maioria também conseguiu atingir doses-alvo até as 24 semanas.
Além disso, não surgiram sinais de pior tolerância renal, baixa grave de pressão arterial ou alterações graves de potássio no grupo tratado desde o início com as duas terapias.
Doença afeta milhares de pessoas
A insuficiência cardíaca é uma doença crônica grave que provoca sintomas como falta de ar e retenção de líquidos. Também está entre as principais causas de mortalidade acima dos 65 anos.
Em Portugal, estima-se que mais de meio milhão de pessoas convivam com a doença. Por isso, qualquer avanço que reduza o tempo até o tratamento completo tende a despertar atenção dentro e fora dos hospitais.






