Hantavírus em navio acende alerta: entenda o risco de uma nova pandemia

Surto chamou a atenção por ocorrer em um ambiente de cruzeiro, algo considerado extremamente raro por especialistas

Até o momento, foram identificados oito casos ligados à embarcação

Até o momento, foram identificados oito casos ligados à embarcação | Wikimedia Commons

Um surto incomum de hantavírus a bordo do navio de expedição polar M.V. Hondius, que viajava da Argentina em direção às Ilhas Canárias, acendeu um alerta nas autoridades de saúde internacionais.

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Com a confirmação de mortes e o monitoramento de passageiros em diversos países, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e agências sanitárias acompanham de perto a situação para entender o potencial de disseminação da doença.

Surto na embarcação M.V. Hondius

Até o momento, foram identificados oito casos ligados à embarcação, resultando em três mortes confirmadas. O surto chamou a atenção por ocorrer em um ambiente de cruzeiro, algo considerado extremamente raro por especialistas.

Os passageiros apresentaram sintomas iniciais de febre e problemas gastrointestinais, mas alguns evoluíram rapidamente para pneumonia grave e colapso cardiovascular.

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Devido ao risco, o navio teve o desembarque negado em Cabo Verde e os passageiros foram mantidos em isolamento nas cabines enquanto a cadeia de transmissão é investigada.

Variante Andes: e a transmissão entre humanos

O grande diferencial deste surto é a identificação da variante Andes, uma cepa rara do hantavírus encontrada principalmente na Argentina, Chile e Uruguai. Diferente da maioria das variantes da doença, o vírus Andes possui a capacidade de ser transmitido entre seres humanos.

Segundo especialistas, essa transmissão ocorre geralmente em situações de contato muito próximo e prolongado, como entre parceiros sexuais, familiares que compartilham a mesma cama ou pessoas que dividem alimentos.

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No entanto, o vírus não possui a mesma facilidade de contágio que a Covid-19 ou o sarampo, pois não permanece suspenso no ar por longos períodos.

Existe risco de uma nova pandemia?

Apesar do alerta, a OMS afirma que o risco global permanece baixo. A médica Maria Van Kerkhove destacou que o padrão de transmissão do hantavírus é diferente do coronavírus e que, mesmo na variante Andes, a eficiência de contágio entre humanos é considerada “muito má” pelos cientistas.

A agência de segurança em saúde do Reino Unido (UKHSA) também reforçou que o vírus não se espalha facilmente em espaços públicos comuns, como escolas ou lojas.

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O monitoramento atual serve como medida de precaução para limitar qualquer continuidade da transmissão a partir dos casos confirmados.

Anteriormente, outro vírus que chamou a atenção pelo risco de contaminação foi o Nipah, com casos confirmados na Índia, contudo, à época a Organização Mundial da Saúde (OMS) já havia descartado a chance de a doença ser a “nova covid-19”.

Sintomas e prevenção

O hantavírus é tradicionalmente transmitido por roedores silvestres, por meio da inalação de partículas da urina, fezes ou saliva desses animais.

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Os principais sintomas incluem:

  • Febre e dores musculares intensas;
  • Cansaço, náuseas e vômitos;
  • Dificuldade para respirar (em casos graves).

Nos continentes americanos, a taxa de mortalidade das variantes que causam síndrome pulmonar pode chegar a 50% dos casos, o que justifica a vigilância rigorosa das autoridades. No Chile, por exemplo, já foram registrados 39 casos e 13 mortes apenas nos primeiros meses de 2026.

As autoridades recomendam atenção redobrada aos sintomas para quem esteve em áreas rurais, locais com presença de roedores ou em contato com passageiros do navio monitorado.