Manter a lucidez e uma boa saúde cognitiva ao envelhecer é uma das principais preocupações de várias pessoas. Nesse contexto, o Alzheimer surge como um grande temor a ser contraído, mas essa doença nem sempre afeta os indivíduos da mesma forma.
Uma pesquisa recente demonstrou que alguns indivíduos que possuem alterações neuropatológicas associadas a essa condição cognitiva podem não apresentar sintomas visíveis, causando uma espécie de Alzheimer assintomático.
Essa descoberta não evidencia apenas substâncias presentes no corpo humano que atuam na proteção do nosso organismo, mas também a capacidade de o cérebro ser resiliente frente a quadros patológicos.
Ausência de sintomas, apesar da presença de toxinas
O Alzheimer é uma doença neurodegenerativa que ocasiona a perda de memória, o declínio cognitivo e alterações no comportamento. Ela é causada pelo acúmulo de proteínas tóxicas no cérebro e no sistema nervoso: tau e beta-amiloide, que são responsáveis por impedir a comunicação dos sinais elétricos pelos neurônios e causar a morte celular.
A pesquisa, publicada na revista Acta Neuropathologica Communications, apontou que cerca de 20% a 30% das pessoas idosas, grupo que a doença mais “ataca”, podem ter um alto acúmulo dessas toxinas e permanecer intactas, sem apresentar nenhum dos sintomas característicos dessa enfermidade.
Exames e marcadores ajudam a visualizar mudanças cerebrais silenciosas, mesmo quando a cognição parece preservada (Foto: Freepik)O que explica o Alzheimer assintomático
Ao longo dos testes, os autores do estudo descobriram o que parece ser o responsável por manter a integridade cognitiva, mesmo com indicadores do Alzheimer: a proteína Chromogranin A (CgA).
A importância dessa proteína foi atestada em observações feitas com camundongos. Os cientistas analisaram roedores que tinham alta concentração de tau e beta-amiloide em seus cérebros e perceberam que aqueles que não tinham a CgA no organismo mantinham o funcionamento normal do sistema cognitivo.
Fonte para futuras pesquisas
Apesar dos resultados, o conceito central do estudo ainda necessita de maior aprofundamento. Entretanto, a descoberta do Alzheimer assintomático pavimenta o campo de pesquisas em torno de mecanismos do corpo humano para a prevenção dessa doença.
Com maiores investigações, cientistas esperam poder iniciar o desenvolvimento de medicamentos voltados para combater o Alzheimer e fortalecer as ferramentas que o próprio organismo oferece para se proteger.



