Um exame de sangue criado por pesquisadores brasileiros abre uma nova frente no rastreamento do câncer de mama. O teste ainda está em fase de validação, mas já chama atenção por unir rapidez, praticidade e alta precisão inicial.
Chamado RosalindTest, o método identifica sinais biológicos ligados ao tumor em amostras de sangue. A proposta é ampliar a triagem, sobretudo em locais onde o acesso ao exame de imagem ainda é escasso.
Como funciona o teste
Desenvolvido por pesquisadores ligados ao Centro Universitário FMABC, o exame busca biomarcadores associados ao câncer de mama. Nos estudos clínicos iniciais, o teste apresentou acurácia acima de 95%, o que colocou a tecnologia no radar da oncologia.
Na prática, a coleta de sangue funcionaria como uma triagem. Se houver sinal de risco, a paciente é encaminhada para exames mais específicos, como mamografia ou biópsia. Isso pode encurtar caminhos e ajudar a priorizar quem precisa de investigação mais rápida.
Por que esse avanço chama atenção
O câncer de mama exige velocidade. Quando a doença é descoberta cedo, as chances de resposta ao tratamento aumentam, e o percurso costuma ser menos agressivo. Por isso, qualquer ferramenta capaz de antecipar a suspeita ganha relevância.
O próprio projeto já chegou a mulheres que vivem fora dos grandes centros. Em uma ação em áreas rurais de São Paulo e do Ceará, 600 pacientes fizeram o teste de forma gratuita.
Esse debate conversa com iniciativas para ampliar o acesso ao exame de mamografia com carretas gratuitas, uma resposta prática a gargalos que ainda afastam parte do público do rastreamento regular.
O câncer de mama é o segundo tipo mais comum de tumor no mundo, com mais de 2,30 milhões de casos registrados em 2022 (Foto: Freepik)“95% dos casos de câncer de mama detectados precocemente são curáveis. Quanto mais cedo eu começo o rastreio, mais cedo eu incluo essa mulher na linha de cuidado; com certeza vou ter uma maior chance de cura e evitar vários outros problemas, como internações, tratamentos e outras situações que vão atrapalhar a vida da mulher”, afirmou Fernando Fonseca, pesquisador e reitor do Centro Universitário FMABC, à CNN Brasil.
Um estudo publicado na revista Mastology, com dados do sistema público, analisou mais de 25 milhões de mamografias feitas no Brasil entre 2013 e 2023. O levantamento mostrou avanço no uso do exame, o que indica maior adesão ao rastreamento ao longo da última década.
O que observar no corpo e na rotina
Muita gente associa o câncer de mama apenas ao histórico familiar, mas a vigilância precisa ser mais ampla. Em vários casos, a doença pode surgir sem dor e sem sinais claros no início, o que reforça o peso do rastreamento regular.
Quando aparecem, os sinais costumam incluir nódulo na mama ou na axila, alteração no mamilo, secreção, vermelhidão e mudança na pele. Perceber essas alterações cedo continua sendo decisivo para buscar avaliação médica sem adiar o próximo passo.
Além do impacto físico, o diagnóstico também mexe com a rotina emocional. O lado emocional do câncer de mama que ainda é ignorado por muitos mostra como medo, ansiedade e baixa autoestima também entram nesse percurso e exigem cuidado.





