Depois dos estragos causados durante a pandemia de Covid-19, os surtos recentes do vírus Nipah na Índia têm gerado preocupações sobre uma possível nova disseminação global. Entretanto, autoridades de saúde pontuam que é fundamental acompanhar atualizações sobre possíveis novos contágios com calma e sem pânico.
Embora a possibilidade de um novo surto global seja tratada com apreensão pela população, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Ministério da Saúde do Brasil não indicam qualquer risco imediato de disseminação internacional, principalmente em solo nacional.
No Brasil, o Ministério da Saúde estabelece protocolos de vigilância contínua com agentes patogênicos considerados altamente perigosos, como é o caso do Nipah.
O país também opera de forma conjunta com instituições como a Fiocruz e o Instituto Evandro Chagas, além de contar com o apoio da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) e da OMS para garantir o controle do contágio dentro de solo brasileiro.
Ainda de acordo com o Ministério da Saúde, não há nenhum indicativo de riscos para a população brasileira. O órgão destaca que a situação é monitorada de perto.
Como surgiu o Nipah?
O vírus não é novo. Ele foi identificado pela primeira vez em 1999, na Malásia e, desde então, surtos ocorreram exclusivamente com a população de países do Sudeste Asiático.
Como acontece a transmissão?
Uma pessoa pode ser contaminada após a ingestão de alimentos contaminados por secreções de morcegos frutíferos, que são os principais vetores do vírus.
Esses morcegos, no entanto, não habitam o Brasil, o que reduz a possibilidade de um surto local. Entretanto, a transmissão humana pode acontecer em caso de contato direto com pessoas ou superfícies contaminadas.
Sintomas
Autoridades de saúde destacam que os sintomas do Nipah podem ser confundidos com os de outras infecções virais, incluindo febre, dor de cabeça, dores musculares, náuseas e tosse.
Determinados casos evoluem para quadros que podem causar comprometimento neurológico, como é o caso da encefalite.
O quadro se trata de uma inflamação no cérebro e pode surgir poucos dias após os primeiros sinais, provocando convulsões, confusões mentais e coma. A letalidade observada em surtos anteriores é relativamente alta, chegando a até 75%, de acordo com o estágio em que a doença é diagnosticada.
Outra preocupação é que não há medicamentos nem vacinas aprovadas para deter o Nipah. O cuidado é baseado no controle dos sintomas e no suporte intensivo às complicações.
