Uma novidade está para chegar ao Sistema Único de Saúde (SUS) nos próximos seis meses: o primeiro medicamento fitoterápico industrializado, feito em laboratório público (Fiocruz), que utiliza o conhecimento de povos originários como base tecnológica.
O remédio será produzido a partir da Phyllanthus niruri, conhecida popularmente como quebra-pedra, com foco no tratamento e na prevenção de cálculos renais.
Para o projeto, foi realizado um aporte de R$ 2,4 milhões para adequação de maquinário e estudos laboratoriais em Farmanguinhos (Instituto de Tecnologia em Fármacos). As informações são da Fiocruz.
Repartição de benefícios e tecnologia nacional
O diferencial deste projeto é a aplicação da Lei da Biodiversidade (Lei nº 13.123/2015).
Trata-se do primeiro medicamento de um laboratório público que reconhece o conhecimento de comunidades indígenas e agricultores como tecnologia
O processo também prevê o pagamento de repartição de benefícios pelo uso do saber ancestral.
Estudo comprova eficácia
Um estudo clínico com 56 pacientes, realizado em 2018 e publicado na plataforma PubMed, comprovou que a Phyllanthus niruri é segura e livre de efeitos colaterais graves.
A pesquisa atesta que a planta altera o metabolismo urinário, auxiliando na eliminação e na prevenção de novos cálculos.
Os dados mostram que a planta aumenta a excreção de magnésio e reduz os níveis de oxalato e ácido úrico.
Na prática, isso bloqueia a formação dos “tijolos” que compõem as pedras, impedindo que os cristais cresçam ou se agrupem.
O aproveitamento da Phyllanthus niruri exemplifica o potencial das mais de 50 mil espécies da flora brasileira com propriedades medicinais. Isso segundo base de dados do Instituto de Química da Universidade Estadual Paulista (Unesp) com Chemical Abstracts Service da Sociedade Americana de Química .
Próximas etapas e cronograma
Após a produção dos lotes-piloto nos próximos seis meses, o medicamento passará por estudos de estabilidade exigidos pela Anvisa.
A estimativa é que o fornecimento efetivo para as farmácias do SUS ocorra em até dois anos.
Parceria e coordenação
O projeto é fruto de uma parceria entre o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), que coordena as ações de bioeconomia e proteção ao saber tradicional, e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).
Já a execução técnica e a produção do medicamento ficam a cargo de Farmanguinhos/Fiocruz.
