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Eleições municipais de 2020: faltam 472 dias ou 67 semanas!

As eleições municipais de 2020 aproximam-se a galope, enquanto o eleitorado ainda sente náuseas como sintoma da profunda ressaca causada pela ingestão de blend batizado com os doces aromas e sabores da propalada HORA DA MUDANÇA. Mal estar consubstanciado na fermentação de ingredientes que prometiam o sepultamento da "velha política" por outro modelo de gestão da coisa pública, mas que não foi além da construção de uma "nova retórica".

Em 2016, 53% dos prefeitos que buscaram a reeleição não lograram êxito, índice que possui imensas condições de ser superado no próximo ano. Tal circunstância vem sendo incubada pelos novos administradores impregnados de paradigmas arcaicos, crentes que pavimentação de vias e zeladoria de espaços públicos permanecem como os grandes cabos eleitorais de ontem, hoje e amanhã. Pouco ou nada avançou em questões estruturantes, que dessem conta em adequar a demanda represada por anos de crescimento vegetativo e quase nenhum grau de planejamento governamental.

As cidades são organismos vivos, que pulsam e prosperam, mas que também podem morrer. Tal como os indivíduos que buscam a profissionalização para ascenderem financeiramente no decorrer de suas vidas, as cidades também necessitam procurar uma vocação que as permita edificar uma identidade econômica vigorosa. Portanto, varrição de ruas, pintura de guias, poda de árvores, carpina de mato, coleta de lixo, iluminação pública e implantação de asfalto fazem parte do escopo básico da atribuição da municipalidade.

Em uma escala de zero a dez, significaria uma nota dois no argumento que justificaria mais quatro anos de mandato. A boa prestação de serviços nas áreas da educação, saúde, transporte, segurança e habitação atingiria uma avaliação de nível quatro. Porém, o debate fundamental na disputa pelo controle dos executivos municipais estará ancorado nos dilemas que envolvem o futuro das cidades. A evolução das redes sociais desmontaram as narrativas demagógicas com conteúdo reducionista. Os arautos dos "vamos melhorar a saúde", "iremos investir em educação", "não toleraremos a corrupção", terão imensas dificuldades de triunfo.

Em 2020 ocorrerá a eleição mais politizada dos últimos trinta anos, marcada por fortes embates baseados nas singularidades locais. Será o momento consagrador para aqueles que detêm a capacidade de formulação de propostas e visão inovadora, ancorada em conteúdo real, factível e honesto. Nesse cenário, as pesquisas mais importantes serão aquelas que possuam a capacidade de evidenciar tendências e potenciais, em contraposição às que apontam meramente na direção da intenção de voto ou rejeição dos postulantes.

ção de material com estética de agência. Chegamos ao momento em que sai de cena o personagem e adentra ao palco o ser humano.

As pesquisas qualitativas, monitoramento de redes, análise de conteúdos e estudos em bases secundárias (microtargeting) farão parte do leque de instrumentos imprescindíveis na estruturação das campanhas. Em outros termos, sejam bem-vindos ao maravilhoso mundo da política, onde o marketing não passa de mero ator coadjuvante.

Daqui em diante, a taxa de sucesso diminuirá significativamente para os candidatos que buscarem esconderijos por detrás de slogans, fotos de estúdio e produção de material com esté-tica de agência. Chegamos ao momento em que sai de cena o personagem e adentra ao palco o ser humano.

*Nilton Cesar Tristão é cientista político e diretor do Instituto Opinião Pesquisa e GovNet.

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