últimas notícias

Turismo

Sheila Vianna, Nepal
Sheila Vianna, Nepal
Foto: Arquivo pessoal

Brasileiros relatam dificuldades para voltar para casa

Muitos voos que vêm do exterior ao Brasil foram cancelados; conheça a história de cinco brasileiros que passaram ou ainda estão passando por isso

O coronavírus fez os hábitos de milhões de pessoas no Brasil mudarem nas últimas semanas, como ficar em casa, lavar as mãos com mais frequência e evitar aglomerações. As fronteiras terrestres foram fechadas, e voos do exterior foram cancelados, para evitar que passageiros com o vírus entrem no País.

Agora, imagine se você está no exterior e é pego de surpresa com o cancelamento do voo que o traria de volta ao Brasil? É o que aconteceu com milhares de brasileiros que viajavam em férias ou a trabalho e, de uma hora para outra foram impedidos de retornar. A reportagem da Gazeta entrou em contato com cinco brasileiros para conhecer suas histórias: três conseguiram retornar e duas ainda estão no exterior.

Estar fora do país é um agravante, visto que nem todos os lugares aceitam cartões de crédito ou débito, ou não é possível fazer a troca do dinheiro em moeda local.

Nestes casos, há algumas ações a serem tomadas para tentar aliviar a tensão nesse período. Entrar em contato com a agência de viagem ou a companhia aérea para tentar um ressarcimento do valor da viagem ou reagendar a data de volta é uma delas.

Do lado governamental, os Ministérios do Turismo e das Relações Exteriores, a Embratur e a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) trabalham juntos para auxiliar na repatriação dos brasileiros no exterior. Como os efeitos do coronavírus nos países afetados mudam constantemente, esses órgãos estão desenvolvendo metodologias para tornar esse procedimento mais ágil.

Um caminho para agilizar esse processo é preencher um formulário desenvolvido pela Anac (www.anac.gov.br/brasileironoexterior), que serve somente para viagens aéreas. É um questionário que identifica o passageiro em dificuldade, e ajuda a agência a entrar em contato para futuras orientações. Outra dica é entrar em contato com as embaixadas ou consulados brasileiros, que devem fornecer informações aos brasileiros.

Macaque in the trees
GABRIELA FOGONHOLO, ASSISTENTE DE MARKETING, DE CAPIVARI. "Eu vim para Covilhã, em Portugal, para conhecer a cidade, e meu voo de volta ao Brasil seria no dia 26 de março. Inicialmente esse voo foi adiantado em dois dias, mas no meio da semana recebi uma mensagem da Azul avisando que todos os voos seriam cancelados e que haveria novos voos depois de 30 dias. Estou esperando as orientações deles e da Anac, para nos avisar dos voos. Minha viagem seria inicialmente de 15 dias, porém com essa situação estou sem perspectiva de retorno. Por e-mail recebi dois formulários, um da Anac e outro do Ministério das Relações Exteriores, são eles que estão remanejando os voos de volta, mas é por sua conta. Um deles só tinha classe executiva e seria um custo que teria que arcar, mesmo eu tendo comprado a passagem de volta."

Macaque in the trees
JEAN LISBOA G. SILVA, ENGENHEIRO AMBIENTAL, DE SÃO PAULO. "Fomos para Punta Cana, no Uruguai, e tínhamos marcado a volta para 23 de março, mas o voo foi cancelado. Tentamos contato com a Gol [empresa aérea que os traria de volta], para conseguir alguma informação, mas não conseguimos. Conversamos com a embaixada, que nos informou que estava tomando as providências. Com o voo cancelado, ficamos no aeroporto, dormimos nos bancos, e os administradores do aeroporto nos deram café da manhã, almoço e jantar no refeitório lá mesmo, que foi aberto para os estrangeiros na mesma situação. Ficamos lá até quarta-feira, dia 25, quando o aeroporto foi fechado. Ligamos para nossas famílias para tentar levantar mais dinheiro para hospedagem, e conseguimos uma pousada. Podíamos ir ao supermercado e cozinhamos nossa comida no hotel. Somente na sexta-feira, dia 27, conseguimos voltar ao Brasil."

Macaque in the trees
PALOMA DIAS LOTTI GARCIA, EMPRESÁRIA, DE BELO HORIZONTE. "Fui a Cancún e Acapulco, e era para eu voltar no dia 25 de março, mas o voo foi cancelado. Foi em Acapulco que as coisas começaram a piorar, porque lá não aceitavam cartão de crédito nem débito, nem real. Tive dificuldade para remarcar o voo. Fui todos os dias ao aeroporto para tentar trocar as passagens. O voo foi remarcado para a Cidade do México, fiquei três dias lá, quase sem dinheiro - uma brasileira pagou duas diárias de um hotel para mim. Só no dia 28 consegui retornar, e vim até São Paulo. Precisei alugar um carro para vir até Belo Horizonte."

Macaque in the trees
RICARDO BUENO MESQUITA, DIGITAL INFLUENCER, DE BELO HORIZONTE. "Eu e meu namorado fomos para Galápagos, no Equador. Chegamos lá dia 9 e ficamos lá até o dia 16. Em uma das conexões na volta, em Quito, fomos impedidos de seguir até Lima porque nos informaram que o aeroporto estava fechado. No dia seguinte fomos à embaixada, que entrou em contato com o Itamaraty. Ficamos 14 dias lá. Nossa rotina era ficar no quarto vendo TV, sair só pra ir na farmácia ou no mercado. Os dias foram passando, estresse aumentando e o dinheiro acabando. Conseguimos voltar na madrugada do dia 31."

Macaque in the trees
SHEILA VIANNA, EMPRESÁRIA E PASTORA, DE SANTOS. "Saí do Brasil no dia 12 de março, e vim ao Nepal por duas razões: uma para fazer uma trilha no [Monte] Everest, e outra para encontrar dois missionários da igreja Bola de Neve, que são nepaleses, para dar apoio a eles. No dia 19 soube dos cancelamentos de voos, mas como estava em um lugar muito afastado, não tive mais informações. No dia 23, já de volta a Katmandu [capital do Nepal], fui ao escritório de outra companhia aérea, a Qatar Airways, para comprar passagem para o Brasil. Eu já tinha o voo de volta pela Emirates no dia 25, mas ele foi cancelado. Pela Qatar havia voos pro dia 23, mas o valor era um absurdo, em média de US$ 5 mil. No dia 24 foi decretado o lockdown [fechamento compulsório] na cidade, não tinha mais voos comerciais. Estou em um hotel com mais 15 hóspedes, e o gerente nos autorizou a usar a cozinha para fazer as refeições. Temos sido bem atendidos pelo consulado brasileiro, mas ele não tem autonomia para fretar um voo de volta, somente o governo brasileiro pode. O povo nepalês tem sido muito atencioso, há nepaleses distribuindo comida para estrangeiros, ainda mais que muitos deles vêm com dinheiro contado. Eu estou bem, procurando me ocupar e ajudar os que estão aqui no hotel. Alguns estão começando a ficar bem ansiosos".

Galeria de Fotos

Tops da Gazeta