Itu, a cerca de 100 quilômetros da capital paulista, deve ganhar nos próximos anos um reforço de peso no turismo com o Cacau Park. O novo complexo atrai atenção, mas a cidade já oferece um roteiro consistente, com patrimônio histórico, geologia rara e símbolos gigantes que viraram marca registrada.
Antes da abertura do parque, o visitante encontra uma cidade que mistura o Museu Republicano, igrejas do barroco paulista, um parque geológico singular e a praça onde o exagero virou atração. Itu funciona melhor quando é lida assim, como destino completo, não só como cenário para foto curiosa.
O que muda com o Cacau Park
O Cacau Park está previsto para abrir em dezembro de 2027, em Itu, com investimento de R$ 2 bilhões. O projeto reúne 70 atrações, 52 brinquedos, três hotéis e uma fábrica de chocolate integrada ao circuito, um pacote que tende a ampliar o fluxo turístico para a cidade.
“Estamos correndo para entregar isso para o Brasil”
afirmou Alexandre Costa, CEO da Cacau Show, em entrevista à revista Exame
Nos últimos meses, Itu voltou ao radar com o megaprojeto que já tem data para abrir as portas. Só que a cidade não começa nem termina nessa promessa. Ela já tem lastro para um fim de semana inteiro.
O que fazer em Itu hoje
O melhor roteiro passa por pontos objetivos, fáceis de localizar, com visita que entrega conteúdo real. Em vez de um passeio genérico pelo centro, vale mirar lugares que explicam por que Itu continua relevante muito antes da estreia do novo parque.
- Museu Republicano: fica na Rua Barão de Itaim, 67, no centro histórico. O acervo se dedica ao período de formação do regime republicano no Brasil e também à história de Itu no século 19.
- Igreja Matriz de Nossa Senhora da Candelária: inaugurada em 1780, guarda um dos conjuntos mais importantes do barroco paulista, com obras de Padre Jesuíno do Monte Carmelo e Almeida Júnior.
- Parque Geológico do Varvito: funciona de terça a domingo, das 8h às 17h, e não abre em dias de chuva. O local expõe rochas formadas há cerca de 280 milhões de anos, em antigas frentes de extração.
- Praça dos Exageros: na Vila Padre Bento, concentra parte da fama visual da cidade, com peças gigantes inspiradas no imaginário ituano, como orelhão, semáforo e outros objetos fora de escala.
- Fábrica São Luiz: inaugurada em 1869, foi a primeira fábrica a vapor do estado de São Paulo. Hoje funciona como espaço cultural e turístico em um dos prédios históricos mais conhecidos da cidade.
Esse conjunto ajuda a entender por que Itu segue forte no turismo regional. Há memória política, arte sacra, paisagem geológica e um repertório pop que conversa bem com famílias, casais ou quem só quer um bate e volta sem roteiro improvisado.
Também é por isso que a cidade segue sendo uma cidade conhecida como berço da República, rica em história e natureza. O novo parque pode ampliar essa imagem, mas não precisa inventá-la do zero.
E os objetos gigantes de Itu?
A fama dos objetos gigantes não nasceu por acaso. Segundo o turismo oficial de Itu, a origem está nas histórias exageradas contadas pelo humorista ituano Francisco Flaviano de Almeida, o Simplício, em um programa de TV dos anos 1960.
“Conta pra eles, Ofélia, o tamanho da mandioca lá de Itu”
uma das falas do humorista em seu programa
A brincadeira ganhou escala, atraiu visitantes e ajudou a fixar dois ícones no imaginário popular: o orelhão e o semáforo gigantes. Com o tempo, a cidade assumiu essa narrativa e transformou o exagero em linguagem turística, souvenir e parada obrigatória para quem passa pelo centro.
A fama de coisas gigantes alcançou tamanho patamar que foi utilizada como uma piada de duplo sentido na criação da pornochanchada “O Bem Dotado – O Homem de Itu”.
Mais que um cenário para fotos
Itu sediou a Convenção de 1873, marco do movimento republicano paulista, e preserva essa memória em um museu especializado. Ao mesmo tempo, exibe um parque geológico reconhecido por pesquisadores e um patrimônio religioso que ajuda a contar a formação urbana do interior paulista.
Esse contraste explica por que a cidade deve seguir atraente mesmo quando o Cacau Park deixar de ser novidade. Há destinos que dependem de uma única atração. Itu opera de outro modo. O visitante chega pelo apelo do gigante, mas costuma ficar pela densidade do roteiro.
Quando o novo parque abrir, a tendência é que a vitrine fique ainda maior. Até lá, Itu já oferece uma combinação rara de humor popular, memória política, barroco paulista e natureza acessível, tudo num raio curto, com visita simples de montar e fácil de entender.








