Arquiteto cria túnel de luz na Noruega para observar aurora boreal, baleias e as belezas da natureza sem congelar no frio do Ártico

Estrutura de madeira gira 360 graus e oferece uma experiência única para observar baleias, auroras boreais e o sol da meia-noite em uma das regiões mais remotas da Noruega

Projetado por um arquiteto português, o abrigo sustentável transforma a contemplação da natureza no Ártico em uma experiência protegida das condições extremas (Foto: Ilustração gerada por IA)

Projetado por um arquiteto português, o abrigo sustentável transforma a contemplação da natureza no Ártico em uma experiência protegida das condições extremas (Foto: Ilustração gerada por IA)

Observar baleias, auroras boreais e o sol da meia-noite costuma exigir enfrentar frio intenso e ventos fortes. Em uma pequena vila no extremo norte da Noruega, porém, um projeto arquitetônico promete mudar essa experiência de forma surpreendente.

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Criado pelo arquiteto português Pedro Léger Pereira, o abrigo combina design contemporâneo, técnicas tradicionais e sustentabilidade. Além disso, oferece uma vista privilegiada da paisagem do Círculo Polar Ártico sem expor os visitantes às condições climáticas mais severas.

O resultado é uma estrutura que desperta curiosidade tanto pelo visual quanto pela proposta. Quem entra na cápsula encontra um cenário capaz de revelar diferentes fenômenos naturais ao longo das estações, tornando a experiência ainda mais marcante.

Refúgio para observar a natureza de perto

Na vila pesqueira de Båtsfjord, no extremo norte da Noruega, o clima rigoroso sempre dificultou a observação da natureza. Segundo Pedro Léger Pereira, bastam alguns minutos ao ar livre para que “as mãos comecem a congelar”.

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Para enfrentar esse desafio, o arquiteto desenvolveu uma cápsula de madeira instalada às margens do mar de Barents. O objetivo era permitir que moradores e turistas contemplassem a paisagem em um ambiente protegido, mas sem perder a sensação de proximidade com a natureza.

“Aquilo está literalmente em cima da água, portanto, não temos mais nada. Somos só nós, o mar e o céu”, descreve o arquiteto ao jornal português Público. A localização cria uma experiência imersiva que aproxima o visitante da fauna e das mudanças constantes do céu ártico.

Estrutura gira e acompanha a paisagem

Batizado de A POD, abreviação de Apart Pod, o abrigo foi construído em madeira maciça e instalado sobre uma plataforma giratória de 360 graus. O movimento permite acompanhar diferentes pontos da paisagem sem que o visitante precise deixar o interior da estrutura.

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Segundo Pedro, baleias e grupos de orcas podem ser vistos com frequência na região. “Passam ali baleias. Já vi grupos de orcas, mesmo bem ao lado, a 10, 20 metros. Portanto, imagine-se estar ali sentado e ouvi-las a respirar”, relembra o arquiteto.

A cápsula possui duas janelas estrategicamente posicionadas. Enquanto uma enquadra o horizonte, a outra aponta para o céu. Juntas, elas criam um “túnel de luz”, oferecendo diferentes perspectivas da mesma paisagem ao longo do dia.

Cenário muda completamente entre verão e inverno

No verão, Båtsfjord vive um dos fenômenos mais conhecidos do Ártico. Como está dentro do Círculo Polar Ártico, o sol permanece visível durante 24 horas por dia, iluminando o interior da cápsula continuamente e atraindo visitantes interessados no famoso sol da meia-noite.

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Já durante o inverno, ocorre exatamente o oposto. Os dias permanecem escuros porque o sol não chega a nascer, criando as condições ideais para observar as auroras boreais, que costumam colorir o céu com diferentes tons ao longo da noite.

Além da experiência visual, o projeto também chama atenção pela sustentabilidade. O abrigo funciona de forma totalmente independente da rede elétrica, utilizando uma turbina eólica e um painel solar.

Desenvolvido pelo A Part(E)Studio com apoio da Innovation Norway, o espaço foi criado para integrar arquitetura, natureza e contemplação em um dos cenários mais extremos do planeta.