Uma fazenda no interior do Rio Grande do Norte tem despertado curiosidade e emoção em quem passa por lá. Em meio à paisagem do sertão, um cenário chama atenção pelas cores, detalhes e pela sensação de voltar no tempo.
O espaço, que mistura memória, cultura e turismo, foi idealizado pelo cantor Dorgival Dantas. Mais do que um projeto visual, a Cidade do Forró carrega histórias pessoais e já se tornou um dos destinos mais comentados da região.
Logo na chegada, visitantes percebem que não se trata de um lugar comum. A proposta vai além da estética e revela um mergulho nas raízes do Nordeste, com elementos que despertam lembranças e criam novas experiências.
Sonho que saiu do papel
A chamada Cidade do Forró nasceu de lembranças de infância do artista. “Isso realmente era um sonho meu, aqui eu tocava nos sítios com o meu pai, nas fazendas, quando tinha uns forrós para a gente tocar”, relata Dorgival Dantas, em entrevista ao G1.
A ideia, portanto, foi transformar essas memórias em um espaço vivo. “Então, a imagem que foi ficando para mim foi dessas casinhas, do vilarejo, tem muito da época, da história do nordeste antigo da década de 30, 40”, completa o cantor.
Com isso, a vila recria o cotidiano de décadas passadas, valorizando tradições e costumes. Cada detalhe foi pensado para transportar o visitante a um tempo em que a vida seguia outro ritmo no sertão.
Cidade recria cenário do Nordeste dos anos 1940 (Foto: reprodução/Youtube)Muito além de cenário
Apesar da aparência cenográfica, a estrutura surpreende por ser totalmente funcional. As construções incluem igreja, prefeitura, bodega, escola, cabaré, cadeia e diversas casas típicas.
Por dentro, os espaços mantêm o clima antigo, mas oferecem conforto. É possível encontrar móveis rústicos, rádios antigos, candeeiros e objetos que reforçam a ambientação, além de itens modernos discretamente integrados.
A igreja, por exemplo, não é apenas decorativa. O local pode receber celebrações e há planos especiais para o futuro. “Eu tenho a ideia de fazer casamentos coletivos… é uma ação boa”, explica Dorgival, ao falar sobre o projeto social.
Impacto que vai além da fazenda
Desde a inauguração, em 2023, o espaço atrai visitantes de várias regiões. Esse movimento, inclusive, começou a transformar a economia local e gerar novas oportunidades para moradores.
O reconhecimento também veio de forma oficial. Em 2024, a Cidade do Forró foi declarada Patrimônio Cultural Imaterial do Rio Grande do Norte, reforçando sua importância para a preservação cultural.
Além disso, comerciantes e empreendedores já sentem os efeitos positivos. O aumento no fluxo de turistas impulsiona pousadas, restaurantes e pequenos negócios da região.
Cidade do Forró tornou-se um ponto turístico do sertão e aquece a economia local (Reprodução/Youtube)Cultura viva e em movimento
A fazenda também se tornou palco de grandes eventos. Entre eles, o Derradeiro de Maio, que marca simbolicamente o início das festas juninas e reúne nomes importantes do forró tradicional.
Com shows, estrutura completa e clima festivo, o espaço fortalece ainda mais sua proposta cultural. Ao mesmo tempo, atrai públicos de diferentes idades e mantém viva a essência nordestina.
“Às vezes é uma pessoa que sai daqui pra cada cantinho do mundo, e aqui é o mundo que está vindo para conhecer”, celebra o cantor, destacando o impacto coletivo do projeto.
No fim das contas, a Cidade do Forró vai além de um ponto turístico. Ela transforma lembranças em experiência, valoriza a cultura regional e mostra como o passado pode ganhar novos significados no presente.









