Vlkolínec, uma vila histórica no centro da Eslováquia, enfrenta conflitos entre moradores e visitantes após décadas de preservação e crescimento do turismo.
Reconhecida pela Unesco em 1993, a comunidade recebe cerca de 100 mil turistas por ano e tem cerca de 17 moradores.
O povoado fica a aproximadamente 256 km de Bratislava, capital da Eslováquia. Apesar de a viagem de carro levar mais de três horas, a alta circulação de visitantes traz problemas para quem vive nas casas históricas, principalmente por invasões de privacidade e comportamento inadequado.
Moradores reclamam da perda de privacidade
O aumento do turismo em Vlkolínec afeta a rotina de quem vive no povoado histórico. Diante de uma casa tradicional de madeira, placas precisam avisar: “Propriedade privada. Entrada proibida” e “Proibida a fotografia”.
Apesar disso, moradores relatam à agência France-Presse que turistas ainda entram em áreas privadas, fotografam as residências e tentam observar o interior das propriedades.
“Estamos num zoológico ou algo assim?”, protestou o aposentado Anton Sabucha (68), apontando para as placas instaladas diante de sua casa.
Segundo ele, os turistas estão “indo aonde querem, tirando fotos e olhando em volta” todos os dias.
O aposentado afirmou ainda que os moradores se sentem como figurantes em um set de filmagem e defendeu que Vlkolínec perca o título de Patrimônio Mundial da Unesco.
A população de Vlkolínec também diminuiu de forma expressiva ao longo dos últimos 150 anos. Atualmente, apenas 17 pessoas vivem em Vlkolínec, enquanto o povoado chegou a ter mais de 300 moradores no passado.
O que diz a administração da vila
Miroslav Parobek (62), chefe do departamento de cultura e turismo de Ružomberok, cidade responsável pela administração de Vlkolínec, não acredita que a vila tenha perdido as características que levaram ao reconhecimento internacional.
“Isto não é um museu a céu aberto. É uma aldeia viva”, afirmou à AFP. Segundo ele, não existem planos para solicitar a retirada de Vlkolínec da lista da Unesco.
A administração também afirma que procura responder às reclamações dos moradores. Parobek informou que os residentes recebem 400 euros (R$ 2.339,18) anualmente, como compensação pelos transtornos provocados pelo turismo.
Lotação incomoda os próprios turistas
O conflito não envolve apenas a relação entre visitantes e moradores. O excesso de pessoas também prejudica a experiência de quem viaja até Vlkolínec para conhecer suas construções tradicionais e caminhar pelas ruas históricas.
Em entrevista à AFP, a alemã Kristina Ziahlhofstetter (52) afirmou que nem imagina como deve ser pessoas circulando constantemente por sua casa e jardim.
A infraestrutura também é uma preocupação. Vlkolínec não possui vias de acesso adequadas, estacionamento suficiente ou banheiros públicos capazes de atender às multidões que visitam o povoado.
Por que Vlkolínec está inscrita na Unesco
Vlkolínec entrou na lista de Patrimônio Mundial da Unesco em 1993 por preservar a estrutura e a arquitetura de uma antiga comunidade rural da Europa Central.
As casas de madeira e o traçado original do povoado foram mantidos ao longo dos séculos.
Segundo a Unesco, “Vlkolínec é um exemplo notável de um assentamento rural tradicional da Europa Central, com 43 casas inalteradas e edifícios auxiliares que refletem uma multiplicidade de elementos de construção arcaicos”.







