“Estamos num zoológico?”: moradores de vila eslovaca pedem retirada de título da Unesco por causa do turismo massivo

Vlkolínec recebe cerca de 100 mil visitantes por ano, enquanto apenas 17 moradores vivem no povoado histórico

Vlkolínec vila na Eslováquia (Foto_ Miro Svorc_Wikimedia Commons)

Placas de “Propriedade privada” foram colocadas diante de casas para conter invasões de privacidade em Vlkolínec (Foto_ Miro Svorc_Wikimedia Commons)

Vlkolínec, uma vila histórica no centro da Eslováquia, enfrenta conflitos entre moradores e visitantes após décadas de preservação e crescimento do turismo.

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Reconhecida pela Unesco em 1993, a comunidade recebe cerca de 100 mil turistas por ano e tem cerca de 17 moradores.

O povoado fica a aproximadamente 256 km de Bratislava, capital da Eslováquia. Apesar de a viagem de carro levar mais de três horas, a alta circulação de visitantes traz problemas para quem vive nas casas históricas, principalmente por invasões de privacidade e comportamento inadequado.

Moradores reclamam da perda de privacidade

O aumento do turismo em Vlkolínec afeta a rotina de quem vive no povoado histórico. Diante de uma casa tradicional de madeira, placas precisam avisar: “Propriedade privada. Entrada proibida” e “Proibida a fotografia”.

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Apesar disso, moradores relatam à agência France-Presse que turistas ainda entram em áreas privadas, fotografam as residências e tentam observar o interior das propriedades.

“Estamos num zoológico ou algo assim?”, protestou o aposentado Anton Sabucha (68), apontando para as placas instaladas diante de sua casa.

Segundo ele, os turistas estão “indo aonde querem, tirando fotos e olhando em volta” todos os dias.

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O aposentado afirmou ainda que os moradores se sentem como figurantes em um set de filmagem e defendeu que Vlkolínec perca o título de Patrimônio Mundial da Unesco.

A população de Vlkolínec também diminuiu de forma expressiva ao longo dos últimos 150 anos. Atualmente, apenas 17 pessoas vivem em Vlkolínec, enquanto o povoado chegou a ter mais de 300 moradores no passado.

O que diz a administração da vila

Miroslav Parobek (62), chefe do departamento de cultura e turismo de Ružomberok, cidade responsável pela administração de Vlkolínec, não acredita que a vila tenha perdido as características que levaram ao reconhecimento internacional.

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“Isto não é um museu a céu aberto. É uma aldeia viva”, afirmou à AFP. Segundo ele, não existem planos para solicitar a retirada de Vlkolínec da lista da Unesco.

A administração também afirma que procura responder às reclamações dos moradores. Parobek informou que os residentes recebem 400 euros (R$ 2.339,18) anualmente, como compensação pelos transtornos provocados pelo turismo.

Lotação incomoda os próprios turistas

O conflito não envolve apenas a relação entre visitantes e moradores. O excesso de pessoas também prejudica a experiência de quem viaja até Vlkolínec para conhecer suas construções tradicionais e caminhar pelas ruas históricas.

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Em entrevista à AFP, a alemã Kristina Ziahlhofstetter (52) afirmou que nem imagina como deve ser pessoas circulando constantemente por sua casa e jardim.

A infraestrutura também é uma preocupação. Vlkolínec não possui vias de acesso adequadas, estacionamento suficiente ou banheiros públicos capazes de atender às multidões que visitam o povoado.

Por que Vlkolínec está inscrita na Unesco

Vlkolínec entrou na lista de Patrimônio Mundial da Unesco em 1993 por preservar a estrutura e a arquitetura de uma antiga comunidade rural da Europa Central.

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As casas de madeira e o traçado original do povoado foram mantidos ao longo dos séculos.

Segundo a Unesco, “Vlkolínec é um exemplo notável de um assentamento rural tradicional da Europa Central, com 43 casas inalteradas e edifícios auxiliares que refletem uma multiplicidade de elementos de construção arcaicos”.