Empreendimento milionário prevê hospedagem dentro de aviões gigantes, simuladores e atividades de aventura, mas enfrenta obstáculos para iniciar a construção
Dormir dentro de um Boeing 747, experimentar a sensação de queda livre e assumir o controle de uma aeronave em um simulador. Essas são algumas das experiências previstas para o Captain Jack, um parque temático que pretende transformar uma área de aproximadamente cinco hectares, próxima ao Aeroporto de Antuérpia, na Bélgica, em um centro de entretenimento dedicado à aviação.
Com atrações esportivas, experiências educativas e opções de hospedagem pouco convencionais, o empreendimento promete oferecer atividades para diferentes públicos. Apesar da proposta ambiciosa, a construção enfrenta resistência das autoridades de Mortsel, município escolhido para receber o complexo.
Segundo o jornal belga Gazet van Antwerpen (GVA), o projeto voltou ao centro das discussões em outubro de 2026. O prefeito Michiel Hubeau pretende contestar os planos por considerar inadequada a localização escolhida, enquanto o empresário Jack Schoepen, responsável pela iniciativa, continua defendendo sua realização.
Mesmo após anos de planejamento, ainda não existe uma data confirmada para o início das obras. Questões ambientais, estudos técnicos e procedimentos administrativos estão entre os obstáculos que dificultam a implantação do parque.
Aviões virariam hospedagem
Entre os elementos mais curiosos do Captain Jack estão dois Boeing 747 que seriam instalados no terreno e adaptados para novas funções. Conhecidas como Jumbo Jets, essas aeronaves de grande porte se tornariam atrações permanentes do empreendimento, oferecendo experiências diferentes das encontradas em parques de diversões tradicionais.
Dentro de um dos aviões funcionaria um hotel, permitindo aos visitantes passar a noite em uma estrutura originalmente projetada para transportar passageiros. A segunda aeronave receberia salas de reuniões e espaços destinados a eventos corporativos.
Famoso pelo tamanho e pela capacidade de transportar centenas de passageiros, o Boeing 747 marcou a história da aviação comercial. Sua produção foi encerrada em 2022, depois de mais de cinco décadas, conforme mostrou a Gazeta em uma reportagem sobre o fim da fabricação do tradicional Jumbo Jet.
Experiências inspiradas na aviação também ocupariam parte importante do complexo. Um túnel vertical de vento permitiria simular a sensação de queda livre, enquanto equipamentos de simulação de voo ofereceriam aos visitantes a oportunidade de conhecer aspectos da pilotagem.
Além dessas atividades, o planejamento contempla instalações para drones, áreas de escalada, espaços gastronômicos e um centro dedicado à educação científica. Um teatro também aparece entre as estruturas previstas pelos desenvolvedores.
Parque enfrenta resistência
Responsável pela criação do Captain Jack, Jack Schoepen é filho de Bobbejaan Schoepen, artista que fundou o tradicional parque de diversões Bobbejaanland. A experiência familiar no setor de entretenimento serviu de referência para a elaboração do novo empreendimento.
Inicialmente, o empresário tentou instalar o complexo no município de Mol, também na Bélgica. Como as negociações não avançaram, os responsáveis buscaram outra localização e passaram a desenvolver a proposta para a região de Antuérpia.
Em 2023, o governo de Flandres selecionou o projeto para uma área recreativa próxima ao aeroporto. A escolha representou um avanço nas negociações, mas não garantiu a autorização definitiva para construir.
Desde então, a localização tem provocado críticas de autoridades e grupos ambientalistas. O terreno fica próximo à Krijgsbaan, uma importante via de circulação, e os opositores temem que a chegada de visitantes agrave os problemas de trânsito.
Preocupações ambientais também pesam contra a proposta. Representantes do partido Groen Mortsel questionam os efeitos da impermeabilização do solo sobre a drenagem da água da chuva e defendem a preservação das áreas verdes próximas, incluindo a região de Klein-Zwitserland.
Para a administração municipal, preservar esses espaços seria mais adequado do que permitir a instalação de um grande empreendimento recreativo. Já os idealizadores sustentam que o planejamento considera questões ambientais e de mobilidade.
Projetos que combinam hospedagem e entretenimento também vêm ganhando espaço no Brasil. No interior paulista o Cacau Park, da Cacau Show, prevê hotéis integrados ao complexo de diversões, embora tenha uma proposta diferente daquela apresentada pelo Captain Jack.
Quando ficará pronto?
Dificuldades administrativas e estudos técnicos vêm alterando o cronograma do Captain Jack. Em julho de 2024, uma reportagem da emissora belga RTV apontou que análises prolongadas das condições do solo estavam entre os fatores responsáveis pelos atrasos.
Na ocasião, a conclusão integral do empreendimento era considerada possível apenas a partir de 2034. Como a proposta prevê diferentes etapas de implantação, algumas atrações poderiam começar a funcionar antes da entrega de todo o complexo, desde que fossem obtidas as autorizações necessárias.
Embora enfrente oposição, o parque não foi oficialmente cancelado. Seus desenvolvedores continuam defendendo a construção, enquanto as autoridades locais mantêm questionamentos sobre os impactos da iniciativa.
Em outros empreendimentos do setor, a instalação gradual das atrações já faz parte da estratégia de desenvolvimento. Como o avanço das obras e a montagem das montanhas-russas do Cacau Park, no interior de São Paulo.
Sem uma previsão concreta de abertura, o futuro do Captain Jack permanece indefinido. Por enquanto, a possibilidade de dormir dentro de um Boeing 747 e explorar atrações inspiradas no universo da aviação depende da resolução dos impasses administrativos e ambientais que cercam o projeto.











