Quem visita a Zaragoza, no interior da Espanha, pode ter uma grande surpresa ao olhar o principal ponto turístico da cidade: as telhas da Basílica de Nossa Senhora do Pilar reproduzem as cores e formas da bandeira do Brasil.
O verde, o amarelo, o azul e o branco aparecem combinados em formato de losango, revestindo parte das cúpulas do templo. A semelhança chama atenção e pode fazer qualquer brasileiro parar para observar melhor a construção.
A semelhança, porém, é apenas uma coincidência visual. As cores fazem parte da identidade arquitetônica da basílica e estão presentes nas telhas esmaltadas que revestem suas cúpulas, um dos elementos mais marcantes da paisagem de Zaragoza.
Por que o teto lembra a bandeira do Brasil?
As cúpulas da Basílica do Pilar são cobertas por telhas coloridas que misturam tons de verde, amarelo, azul e branco. De longe, o conjunto pode lembrar a bandeira brasileira, mas não existe uma relação conhecida entre as cores do templo e o símbolo nacional do Brasil.
O efeito é resultado do próprio revestimento das cúpulas. Segundo o jornal espanhol Heraldo de Aragón, as telhas são feitas de gres e passam por um processo de cocção a cerca de 1.300 graus Celsius, formando a característica aparência colorida do monumento.
A combinação se tornou tão associada à cidade que até o time de futebol Real Zaragoza já usou as cores das cúpulas como inspiração para uma de suas camisas. O clube descreveu os tons como característicos das telhas que coroam a Basílica do Pilar.
Um dos símbolos de zaragoza
A aparência atual da Basílica do Pilar é resultado de um longo processo de construção e transformação. O templo que existe hoje está ligado ao crescimento da devoção à Virgem do Pilar durante o século 17.
Antes dele, havia no local uma construção de estilo gótico-mudéjar. Com o aumento do número de fiéis, surgiu a necessidade de erguer um edifício maior e mais monumental, dando origem ao projeto da basílica barroca que domina a paisagem junto ao rio Ebro.
O arquiteto Ventura Rodríguez teve participação decisiva na configuração atual do templo a partir de 1750. Ele remodelou a decoração interna, projetou a Santa Capela e o Coreto e ajudou a definir o conjunto de cúpulas e torres que hoje caracteriza o monumento.

História começou muito antes
Apesar de a Basílica do Pilar ser um dos cartões-postais mais conhecidos de Zaragoza, a história da cidade começou muitos séculos antes de sua construção. As origens do município remontam a uma antiga povoação ibérica chamada Salduie.
Por volta de 14 a.C., os romanos fundaram no local uma colônia que recebeu o nome de Caesaraugusta, em homenagem ao imperador César Augusto. A posição junto ao rio Ebro ajudou a transformar o assentamento em um importante centro urbano.
A cidade romana tinha fórum, teatro, termas públicas, porto fluvial e uma muralha. Parte desse patrimônio sobreviveu ao tempo e pode ser visitada atualmente em espaços arqueológicos espalhados por Zaragoza.
De Caesaraugusta à cidade das duas catedrais
Ao longo dos séculos, Zaragoza passou por diferentes períodos e recebeu influências culturais diversas. A herança romana se juntou às marcas deixadas pela presença muçulmana e, posteriormente, pelo desenvolvimento da cidade cristã.
Esse passado pode ser visto em diferentes pontos do centro histórico. A cidade preserva construções de diferentes épocas, incluindo a Basílica do Pilar e a Catedral do Salvador, conhecida como La Seo, que formam o conjunto conhecido como a cidade das duas catedrais.
Enquanto o interior do Pilar reúne obras de artistas como Francisco de Goya, seu exterior se destaca pelas grandes cúpulas revestidas com as coloridas telhas de gres.
E é justamente essa combinação de cores que, por uma curiosa coincidência, pode fazer o visitante brasileiro pensar que encontrou uma enorme bandeira do país no coração da Espanha.







