Ruínas brasileiras de 300 anos são reconhecidas como Patrimônio Mundial pela Unesco

Reconhecimento internacional destaca valor histórico das Missões Jesuíticas no interior do Rio Grande do Sul

Sítio preservado pelo IPHAN guarda vestígios da convivência entre jesuítas e povos Guarani ao longo do século 18

Sítio preservado pelo IPHAN guarda vestígios da convivência entre jesuítas e povos Guarani ao longo do século 18 | Jefferson Bernardes - MTUR

As ruínas de São Miguel das Missões guardam mais de 300 anos de história e são um dos principais símbolos do passado colonial brasileiro.

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Localizado a aproximadamente 500 km de Porto Alegre (RS), o sítio arqueológico possui vestígios concretos das missões jesuítas na América do Sul.

O conjunto faz parte do Parque Histórico Nacional das Missões, protegido pelo IPHAN desde 1938. Além disso, possui reconhecimento internacional da Unesco, a agência especializada da ONU em educação, ciência e cultura.

Origem das ruínas

Complexo foi criado para evangelizar os indígenas Guarani e integrá-los à cultura europeia (Foto: Jefferson Bernardes – MTUR Destinos/Wikimedia Commons)

O Sítio Histórico de São Miguel das Missões foi fundado em 1687, como uma “redução jesuítica”. Seu objetivo era evangelizar os indígenas Guarani e integrá-los à cultura europeia

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A construção da igreja principal começou por volta de 1735. A partir daí, o espaço passou a funcionar como um núcleo urbano completo, com igreja, colégio, oficinas, cemitério e áreas destinadas à vida comunitária dos povos Guarani e dos jesuítas.

Essa espécie de complexo também tinha produção agrícola, ensino e práticas religiosas. Havia ainda o Cotyguazú, uma estrutura voltada para acolher viúvas e órfãos.

Hoje, o sítio se transformou em um espaço de visitação aberto ao público. À noite, ocorre o Espetáculo Som e Luz, em cartaz desde 1978.

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Com duração de 48 minutos, a apresentação utiliza iluminação cênica e narração de atores como Fernanda Montenegro e Lima Duarte para contar a história das missões.

Reconhecimento internacional

Sítio foi reconhecido pela Unesco como Patrimônio Mundial em 1983 (Foto: Jefferson Bernardes – MTUR Destinos/Wikimedia Commons)

O reconhecimento como Patrimônio Mundial ocorreu em 1983. Segundo a Unesco, o local foi inscrito por ser “um testemunho vivo dos esforços de evangelização dos jesuítas na América do Sul”.

As ruínas também são consideradas exemplos relevantes da arquitetura missioneira e da convivência cultural entre europeus e indígenas.

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Além do sítio, existe o Museu das Missões, projetado por Lúcio Costa.

Enquanto o sítio é um espaço a céu aberto com estruturas originais, o museu funciona em ambiente fechado e abriga a maior coleção de arte sacra missioneira do País, com esculturas e peças históricas preservadas.

Em São Paulo, uma das maiores provas da catequização indígena é o Pateo do Collegio, fundado por padres jesuítas, incluindo José de Anchieta e Manuel da Nóbrega.

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Como visitar e planejar a viagem

Saiba como visitar o Sítio Histórico de São Miguel das Missões (Foto: Jefferson Bernardes – MTUR Destinos/Wikimedia Commons)

Para chegar ao sítio partindo de Porto Alegre, o trajeto tem cerca de 500 km e dura aproximadamente seis horas. O percurso inclui as rodovias BR-116, BR-386 e BR-285, passando por cidades como Passo Fundo e Carazinho.

Na etapa final, o visitante deve seguir pela RS-536 a partir de Entre-Ijuís até chegar ao destino. Também há opção de ônibus até Santo Ângelo, que fica a cerca de 60 km do sítio.

O sítio arqueológico funciona de terça a domingo. A entrada custa cerca de R$ 10,00, com meia-entrada por R$ 5,00. O espetáculo noturno tem ingresso separado, em torno de R$ 25,00.

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Já o Museu das Missões tem visitação gratuita e abre de terça a domingo, das 9h às 12h e das 13h30 às 18h. A distinção é importante, já que o sítio preserva as ruínas originais, enquanto o museu concentra o acervo histórico.

Nos arredores, o visitante também encontra atrações como a Fonte Missioneira, a cerca de 1 km, e pode explorar cidades vizinhas como Santo Ângelo, que abriga a Catedral Angelopolitana inspirada na antiga igreja missioneira.