Dossiê Master: como a CPMI do INSS pretende desvendar as fraudes do Banco Master

Parlamentares enxergam CPMI do INSS como 'Plano B' para cercar o Banco Master no Congresso

Vorcaro foi preso na manhã desta quarta-feira em ação da Operação Complience Zero

Depoimento de Vorcaro na CPMI do INSS pretende desvendar as fraudes do Banco Master | Reprodução

O assunto Master está longe do fim, com a CPMI do INSS avançando e com a quebra de sigilos bancário e celular do dono do banco, Daniel Vorcaro. Foi possível entender que os tentáculos do caso do banco Master chegam também ao escândalo do INSS. 

Com a dificuldade de avançar para uma CPI exclusiva do banco Master no Congresso e no Senado, parlamentares olham a CPMI do INSS como uma oportunidade de investigar a instituição financeira e “burlar” o “modo avião” que os líderes das duas casas instauraram. 

O “X” da questão: mais de 250 mil contratos sob suspeita

O drama que chega à CPMI tem números impressionantes: são cerca de 250 mil contratos de empréstimo consignado com indícios de irregularidades vinculados ao Master. Na prática, o INSS identificou uma montanha de assinaturas suspeitas e descontos feitos sem o consentimento dos idosos.

Por conta disso, o órgão público deu um passo drástico em janeiro: bloqueou o repasse de aproximadamente R$ 2 bilhões que iriam para o banco. O depoimento do dono da instituição, Daniel Vorcaro, antecipado para esta segunda-feira (23/2), é aguardado como o momento de “verdade ou consequência”.

Vorcaro terá que explicar como essa estrutura de vendas operava e se houve omissão diante de um sistema que lesou quem mais precisa de proteção.

Facetas do “raio X”

Ambos os lados devem usar o depoimento de Vorcaro para firmar narrativas. Para o Banco Master, o desafio é provar que as inconsistências são operacionais e não estruturais.

Já para o Congresso, a meta é clara: usar o INSS como porta de entrada para entender as engrenagens de um banco que, em poucos anos, saltou de uma operação de nicho para uma das peças mais comentadas — e agora questionadas — do tabuleiro nacional.

Governo tenta estancar sangria

A escolha pela CPMI é vista como uma faca de dois gumes. Enquanto o governo tenta “calibrar a temperatura” do impacto da investigação que visa proteger a estabilidade bancária, a pressão parlamentar sobe.

O centro da discórdia são os R$ 2 bilhões retidos preventivamente — uma cifra que a ala técnica da Câmara exige ver justificada por meio de provas, e não apenas discursos.