O caso do assassinato da modelo Eliza Samudio, ocorrido há mais de 15 anos, voltou a ganhar repercussão após a localização de um documento atribuído a ela em Portugal.
Um homem afirma ter encontrado o passaporte da brasileira dentro de um apartamento alugado no país europeu, onde vive atualmente.
Segundo o relato, o documento foi localizado no fim de 2025 em uma estante da sala do imóvel, entre livros.
O homem, que preferiu não se identificar, disse que mora no apartamento com a esposa e a filha, além de dividir o espaço com uma senhora e um jovem que também alugam cômodos no local.
De acordo com ele, o passaporte foi encontrado após retornar de uma temporada de trabalho fora de casa. Ao manusear livros que estavam na sala compartilhada, ele percebeu o documento.
Em depoimento ao portal LeoDias, o morador afirmou que reconheceu o nome e a imagem assim que abriu o passaporte e que ficou surpreso ao identificar a quem pertencia.
O passaporte apresenta apenas um registro de entrada em território europeu, datado em 5 de maio de 2007, cerca de três anos antes da morte de Eliza Samudio.
Não há registro de saída, e todas as páginas do documento estão preservadas. As circunstâncias que explicam como o passaporte foi parar no local e por que não estava com a vítima permanecem sem esclarecimento.
Após a divulgação do caso, o Consulado-Geral do Brasil em Lisboa informou que o documento foi entregue à representação brasileira.
Em nota, o órgão afirmou que já comunicou oficialmente o Itamaraty, em Brasília, e que aguarda orientações sobre os próximos procedimentos relacionados ao passaporte.
O consulado também esclareceu que não tem autonomia para decidir os desdobramentos do caso e que apenas cumprirá as determinações enviadas pelo governo brasileiro.
A representação reforçou ainda que o consulado e a embaixada do Brasil em Portugal atuam de forma independente.
Relembre o caso
Eliza Samúdio desapareceu em junho de 2010 após sair de Curitiba com destino a Minas Gerais. Ela mantinha um relacionamento com o então goleiro do Flamengo, Bruno Fernandes, com quem teve um filho, nascido em fevereiro daquele ano.
Antes do desaparecimento, Eliza havia registrado boletins de ocorrência relatando ameaças e agressões, e buscava o reconhecimento da paternidade da criança.
As investigações indicaram que ela foi levada para um sítio em Esmeraldas, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, imóvel associado a Bruno.
Segundo o Ministério Público de Minas Gerais, Eliza foi assassinada no local. A acusação sustenta que o crime ocorreu por asfixia e ocultação de cadáver. O corpo nunca foi encontrado.
A versão apresentada pela Promotoria se baseou, entre outros elementos, no depoimento de Marcos Aparecido dos Santos, conhecido como Bola, apontado como o executor do homicídio.
Em março de 2013, Bruno Fernandes foi condenado a 22 anos e três meses de prisão pelos crimes de homicídio triplamente qualificado, sequestro e ocultação de cadáver.
Outros envolvidos também foram condenados no processo. A então esposa do goleiro, Dayanne Rodrigues, foi absolvida.


