Durante o inverno, os canais de Veneza viram palco de um espetáculo da natureza. Milhares de peixes da família Mugilidae formam enormes cardumes e podem ser vistos a olho nu.
O fenômeno se repete em janeiro e fevereiro e desperta o interesse de moradores e pesquisadores que acompanham o ecossistema da cidade.
Por que isso acontece
Pesquisadores ligados ao Museu de História Natural e à Universidade Ca’ Foscari explicam que as tainhas suportam variações de salinidade e sobem das lagoas para escapar das baixas temperaturas.
Outro ponto é a alimentação. Nessa época, os peixes circulam em busca de detritos orgânicos, o que favorece a formação de cardumes grandes e bem visíveis.
Os estudiosos também observam que, depois de algumas semanas, os cardumes retornam por conta própria para a lagoa. Esse movimento é visto como um sinal de que a espécie está saudável.
Mesmo sendo um comportamento natural das tainhas, pesquisadores avaliam que a maior incidência de cardumes numerosos pode ter relação com as mudanças climáticas.
O ecossistema de Veneza
A proteção do ambiente aquático de Veneza e o monitoramento constante são essenciais para conservar a biodiversidade local, principalmente em um cenário de alterações climáticas.
Pesquisas regulares ajudam a entender como temperatura, salinidade e disponibilidade de alimento mudam ao longo do ano e como isso afeta as espécies nativas.
Veneza, com seus inúmeros canais, é um ecossistema vulnerável a desregulações causadas pelo homem e a mudanças no clima, que podem alterar o equilíbrio local.
Fenômenos como o aparecimento em massa de tainhas reforçam a necessidade de proteção e estudo desse ambiente, para manter a paisagem como se conhece e garantir a sobrevivência do espetáculo natural.


