O custo para estacionar avançou acima da inflação e se tornou um dos principais vilões no orçamento de quem depende do carro nas grandes cidades.
Dados do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgados pelo IBGE, mostram que o estacionamento foi o item que mais encareceu entre os gastos ligados ao automóvel entre 2024 e 2025, com alta de 13,75%, percentual muito superior à inflação oficial do período.
Segundo Roberto Hissa, CEO da plataforma de mobilidade Hubees, o reajuste reflete uma combinação de fatores estruturais e mudanças no uso das cidades.
“O aumento dos preços dos estacionamentos acima da inflação é resultado de uma pressão crescente de custos operacionais. Mão de obra, energia elétrica, manutenção, aluguel e impostos tiveram reajustes relevantes nos últimos anos, especialmente nos grandes centros urbanos”, afirma.
Além do encarecimento dos custos fixos, a oferta de vagas diminuiu em áreas centrais, o que intensificou a disputa por espaços.
“Em muitas regiões, áreas antes destinadas a estacionamento passaram a ter outros usos, como empreendimentos residenciais. Isso reduz a oferta de vagas justamente onde a demanda segue alta”, explica Hissa.
Ele destaca ainda o aumento do fluxo de veículos em zonas comerciais e de serviços, o que eleva os preços nos horários mais disputados.
Outro fator citado pelo executivo é a falta de digitalização do setor.
“Ainda existe muita ineficiência operacional. Sem previsibilidade de demanda, integração entre estacionamentos e ferramentas inteligentes de precificação, o mercado acaba repassando custos de forma menos equilibrada. A digitalização tende a ajudar a ajustar melhor oferta, demanda e preço ao longo do tempo”, diz.
Inflação pesa mais em bairros centrais de SP
O impacto do aumento é mais sentido em grandes capitais, especialmente em São Paulo, onde estacionar se tornou um gasto recorrente e elevado em regiões de alta circulação.
Bairros como Pinheiros, Itaim Bibi, Cerqueira César e Vila Olímpia concentram parte significativa da demanda, impulsionada pela presença de escritórios, comércio e serviços.
Nessas áreas, não é incomum que motoristas gastem mais de R$ 100 por dia para garantir uma vaga, considerando valores médios próximos de R$ 20 por hora.
No fim do mês, o estacionamento passa a disputar espaço com outras despesas fixas do orçamento familiar.
Empresa de tecnologia busca ser alternativa
Foi a partir dessa frustração cotidiana que surgiu a Hubees. “A experiência de estacionar hoje lembra muito pegar um táxi antes do Uber. Você sai sem saber se vai encontrar vaga, só começa a procurar quando já está chegando e torce para dar certo”, afirma Hissa.
“Enquanto o motorista vive esse estresse, muitos estacionamentos têm vagas ociosas. A Hubees nasce para acabar com esse desencontro.”
Em 2025, a plataforma operou com uma rede de 768 estacionamentos parceiros e viabilizou mais de R$ 8,6 milhões em economia para os usuários, segundo dados da empresa.
Em São Paulo, os bairros com maior número de estadias pela plataforma foram justamente os mais pressionados pela inflação do estacionamento: Pinheiros (81.119), Itaim Bibi (48.992), Cerqueira César (31.287) e Vila Olímpia (30.050).
De acordo com o CEO, a recepção dos motoristas tem sido positiva, especialmente entre aqueles que circulam com frequência pelas regiões centrais.
Hoje, a operação da Hubees está concentrada na cidade de São Paulo, com atuação também na Grande São Paulo e presença no Rio de Janeiro e em outras cidades.
A estratégia, segundo Hissa, é crescer de forma gradual. “Nosso foco agora é ampliar a densidade da rede dentro da própria cidade de São Paulo, para que o motorista encontre opções da Hubees em diferentes pontos do trajeto”, afirma.
