Companhia aérea prevê corte de voos e avalia deixar cidades após alta do combustível

Informação foi confirmada pelo presidente-executivo da companhia, John Rodgerson, em entrevista à agência Reuters

Azul registrou mais de 23 mil operações em abril e superou gigantes do setor aéreo internacional. Foto: Reprodução/Aeroin

Os ajustes devem ocorrer principalmente por meio da redução da frequência de voos/Reprodução/Aeroin

A companhia aérea Azul deverá ampliar os cortes de voos nos próximos meses em razão da alta dos custos com combustível de aviação, cenário que, segundo a empresa, foi agravado pelo prolongamento do conflito no Irã. A informação foi confirmada pelo presidente-executivo da companhia, John Rodgerson, em entrevista à agência Reuters.

De acordo com o executivo, a empresa já vinha ajustando sua malha aérea, mas a continuidade das tensões internacionais e o impacto nos preços do combustível exigirão novas medidas para preservar o caixa.

“Vamos continuar cortando algumas frequências de forma oportunista, garantindo que estamos operando apenas rotas que façam sentido”, afirmou à Reuters.

Os ajustes devem ocorrer principalmente por meio da redução da frequência de voos, especialmente em rotas domésticas. Segundo Rodgerson, a prioridade da companhia é manter a operação em seus principais centros de conexão, localizados em Campinas, Belo Horizonte e Recife, antes de considerar a retirada de destinos inteiros da malha aérea.

Embora a empresa ainda não tenha anunciado o encerramento de operações em cidades específicas, o CEO admitiu que essa possibilidade permanece em análise. “Ainda não retiramos cidades, mas isso está sempre em pauta. Primeiro reduzimos a utilização das aeronaves e a quantidade de voos”, explicou.

A maior parte dos cortes realizados pela Azul no segundo trimestre ocorreu em rotas internacionais. Agora, a companhia concentra os ajustes em frequências domésticas, adequando a oferta à demanda e ao aumento dos custos operacionais.

O combustível representa atualmente cerca de 45% dos custos operacionais das companhias aéreas brasileiras, segundo a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear). Apesar da recente redução de 14,2% no preço do querosene de aviação (QAV) anunciada pela Petrobras para junho, a Azul avalia que o cenário ainda exige cautela.

Rodgerson destacou ainda que a empresa está em posição financeira mais sólida após concluir um processo de reestruturação de dívidas e sair do Capítulo 11 nos Estados Unidos, em fevereiro deste ano, com apoio das companhias United Airlines e American Airlines.

A expectativa da companhia é que a demanda por viagens aumente no segundo semestre, permitindo uma sustentação das tarifas aéreas em níveis mais elevados durante os períodos de maior movimento.