Estudo aponta resultados preocupantes de contaminação na vida aquática

Pesquisa em lagos da China liga pesticida agrícola a telômeros mais curtos e perda de capacidade regenerativa em peixes

Biólogos analisaram peixes expostos a agrotóxico comum e apontaram risco mesmo em contato prolongado com baixa dose

Biólogos analisaram peixes expostos a agrotóxico comum e apontaram risco mesmo em contato prolongado com baixa dose | Freepik

Pesquisadores da Universidade de Notre Dame apontaram que produtos químicos em ambientes aquáticos podem interferir no ciclo de vida dos seres aquáticos. O estudo indica que alguns pesticidas agrícolas afetam a longevidade de peixes.

A análise avaliou como a exposição a pesticidas pode gerar impactos negativos imediatos e cumulativos, de acordo com o nível de contato. O foco foi entender o que muda no organismo quando a água está contaminada.

Suspeitas alarmantes

Jason Rohr e Kai Huang, biólogos coordenadores do estudo, combinaram observações de campo e testes em laboratório. O trabalho analisou a espécie peixe-observador-do-céu em lagos da China.

Os pesquisadores suspeitavam que a exposição crônica a baixos níveis de clorpirifós, um agrotóxico comum na região, poderia acelerar o envelhecimento dos peixes. A hipótese era de efeito contínuo, mesmo sem contato intenso.

Segundo a linha do estudo, a substância poderia interferir nos telômeros, estruturas que protegem o DNA e ajudam a indicar a idade biológica. A alteração nesses marcadores poderia antecipar sinais de desgaste do organismo.

Comprovação do risco

Os resultados foram publicados na revista Science e mostraram que peixes de lagos contaminados tiveram telômeros encurtados. A redução dessas estruturas indica prejuízo na capacidade regenerativa do animal.

O organismo passa a interpretar o quadro como sinal de envelhecimento acelerado. Rohr afirmou que os peixes de águas contaminadas aparentavam ser mais velhos do que espécimes da mesma idade, mas de ambientes não poluídos.

Também foi identificada a lipofuscina no organismo dos peixes expostos. A substância não é digerida pelo sistema interno e pode se acumular, funcionando como um tipo de resíduo celular.

Perigo ao redor do mundo

Apesar de ser proibido em diversos lugares, como a União Europeia e o Reino Unido, o clorpirifós ainda é usado em países como China e Estados Unidos. O estudo reforça o alerta para impactos em ecossistemas aquáticos.

O pesticida já foi associado a danos em tecidos vivos e, segundo Rohr, pode causar estragos mesmo em exposições leves. Para os pesquisadores, a presença contínua do químico na água agrava o risco ao longo do tempo.