Tempestade com força rara em Portugal não era vista desde 2013

Ciclogénese explosiva por trás da tempestade Kristin provocou mortes, danos e paralisações; fenômeno desse nível é incomum no continente

Coimbra, na região central do país, foi uma das cidades mais afetadas

Coimbra, na região central do país, foi uma das cidades mais afetadas | Reprodução/Lucas Disraeli

A tempestade Kristin, que atravessou Portugal com ventos extremos e chuva intensa, recolocou em evidência um tipo de fenômeno atmosférico pouco comum no país. 

Eventos com essa intensidade só tinham sido registrados pela última vez em 2013, segundo históricos meteorológicos.

A passagem do sistema provocou mortes, destelhamentos, queda de árvores e interrupções em transportes e serviços.

Linhas ferroviárias foram afetadas e escolas permaneceram fechadas em alguns concelhos, reflexo direto dos estragos e dos riscos à circulação.

O que tornou a tempestade diferente

Kristin não foi apenas uma “tempestade forte”. Ela resultou de um processo chamado ciclogénese explosiva, quando uma área de baixa pressão atmosférica se intensifica muito rapidamente. 

É como se a tempestade ganhasse força de forma súbita, concentrando vento e chuva em pouco tempo.

Esse reforço acelerado favorece rajadas destrutivas. Em vários pontos, os ventos passaram dos 100 km/h, intensidade suficiente para provocar danos urbanos relevantes.

Tempestade atingiu com mais força o centro do país

O impacto foi mais severo na região central. Cidades como Coimbra e Leiria registaram alguns dos quadros mais preocupantes, com estruturas danificadas e bloqueios em vias. 

A força do vento chamou atenção pela capacidade de deslocar objetos de grande porte.

Em Figueira da Foz, um dos símbolos locais do municipio da costa central do país sentiu o impacto. A roda-gigante instalada na cidade acabou derrubada pela intensidade das rajadas. 

Fenômeno raro no continente

Esse tipo de evento é mais comum no Atlântico Norte. Em Portugal continental, os registos são esporádicos, com episódios registrados apenas em 1997, 2000, 2009 e 2013.

Nos Açores, arquipélago ligado ao país, pela posição geográfica, essas formações são relativamente mais frequentes. No continente, porém, seguem como exceção.