Evidências na Itália indicam que tartarugas marinhas fugiram de terremoto há 80 milhões de anos

É evidente, do ponto de vista geológico, que houve um deslizamento submarino desencadeado por um terremoto

É evidente, do ponto de vista geológico, que houve um deslizamento submarino desencadeado por um terremoto | Divulgação/Paolo Sandroni

Os escaladores encontraram evidências de uma possível debandada de um grupo de tartarugas marinhas há 80 milhões de anos em território italiano. Pesquisas recentes indicam que esses répteis estavam fugindo de um terremoto.

Cientistas afirmam que sulcos em uma rocha com vista para o Mar Adriático podem ter sido feitos pelas tartarugas em meio a fuga.

Essa descoberta realizada pelos estudiosos é relevante porque os sulcos na rocha do Monte Cònero, com vista para o Mar Adriático, são semelhantes a outros descobertos anteriormente no mesmo parque regional.

No entanto, eles haviam sido atribuídos a réptil marinho do Cretáceo que pressionava as suas nadadeiras no fundo do mar.

Posteriormente a um longo período de investigações quanto a possível natureza desses sulcos, os pesquisadores publicaram suas descobertas na revista Cretaceous Research.

Como foi o desenrolar dos estudos

Para além da equipe de escaladores e cientistas, o alpinista e geólogo Paolo Sandroni e o Alessandro Montanari, diretor do Observatório Geológico de Coldigioco (OGC) também foram consultados.

Sandroni e outro membro da equipe escalaram de volta a área investigada com o objetivo de coletar amostras de rochas e documentar o local utilizando um drone.

Enquanto isso, os pesquisadores também descobriram que o que hoje faz parte da configuração de uma montanha, já foi um profundo leito marinho dobrado e erguido por forças tectônicas milhões de anos atrás.

As amostras de rochas coletadas se encontravam imediatamente acima das pegadas dos animais.

Mas o que isso significa?

Os únicos vertebrados grandes o suficiente para deixar essas pegadas no Cretáceo Superior eram répteis marinhos, como tartarugas marinhas e diferentes espécies de dinossauros.

Segundo Montanari, em circunstâncias comuns, tais vestígios teriam sido apagados pelas correntes do mar. No entanto, o terremoto causou uma avalanche subaquática pouco após as pegadas serem feitas, o que as preservou.

Michael Benton, professor de paleontologia de vertebrados da Universidade de Bristol, no Reino Unido, não fez parte da pesquisa, mas questionou qual animal realmente teria deixado as pegadas.

Ele explicou ao site Live Science que as pegadas são de caráter incomum pois apresentam um movimento de impulso subaquático distinto do padrão usual das tartarugas.

“As tartarugas marinhas geralmente têm um modo de natação muito eficiente”, afirmou Benton, “um pouco como voar debaixo d’água, onde as nadadeiras dianteiras giram”, o que para o professor não parece corresponder às pegadas encontradas.

Mas Montanari é firme na qualidade de sua pesquisa e esclarece que embora as pegadas se beneficiem de mais pesquisas, é evidente, do ponto de vista geológico, que houve um deslizamento submarino desencadeado por um terremoto.