Estudo mostra impacto da mineração submarina em animais e ecossistemas marinhos profundos

Provas concretas apontam queda de espécies e risco a ciclos ecológicos complexos em áreas de mineração no fundo do mar

Pesquisadores alertam que mineração submarina pode prejudicar cadeia alimentar e espécies ainda desconhecidas

Pesquisadores alertam que mineração submarina pode prejudicar cadeia alimentar e espécies ainda desconhecidas | (Foto: Pexels)

Nos últimos anos, a mineração no fundo dos oceanos tem sido apresentada por empresas e governos como alternativa para atender a demanda por metais usados em tecnologias modernas, como baterias e eletrônicos.

No entanto, um novo estudo com provas concretas dos efeitos dessa atividade na vida marinha tem gerado preocupação entre especialistas.

Como funciona a mineração no fundo do mar

A mineração submarina envolve o uso de máquinas pesadas que raspam ou sugam o fundo oceânico para extrair minerais como níquel, cobre e cobalto.

Esses minerais existem principalmente em depósitos conhecidos como nódulos polimetálicos, localizados a vários milhares de metros de profundidade sob a superfície do mar.

Estudos mostram impactos diretos no ambiente marinho

Pesquisadores que analisaram áreas onde máquinas de mineração foram testadas encontraram evidências claras de impacto ambiental.

Um estudo feito na Zona Clarion–Clipperton, no Pacífico e publicado pela revista ‘Nature Ecology & Evolution’, mostrou que o número de animais que vivem no sedimento marinho caiu cerca de 37% nas áreas diretamente atingidas.

A diversidade de espécies também diminuiu em torno de 32%.

Essas descobertas são importantes porque, até agora, parte do debate sobre mineração submarina se baseava em modelos ou estimativas.

Agora, há dados quantitativos que confirmam efeitos negativos sobre a vida marinha, incluindo vermes, crustáceos e moluscos que habitam o leito oceânico profundo.

Riscos para a cadeia alimentar dos oceanos

Os impactos vão além de animais pequenos no fundo do mar.

Estudos adicionais indicam que a mineração pode alterar ciclos ecológicos complexos, afetando a cadeia alimentar marinha e até espécies comercialmente importantes no futuro.

Relâmpagos de sedimentos e resíduos liberados na água podem perturbar organismos fundamentais como o zooplâncton.

Base da alimentação de peixes maiores, e agravar problemas já conhecidos em ambientes marinhos.

Como a ameaça da pesca fantasma, que continua devastando espécies marinhas em várias regiões do planeta.

Além disso, pesquisas recentes indicam que mudanças no ambiente marinho não ocorrem apenas no fundo do oceano, já que os oceanos estão ficando mais escuros.

Fenômeno que reduz a penetração de luz e pode afetar a biodiversidade marinha.

Debate internacional sobre cautela e exploração

Muitos cientistas lembram que grandes áreas dos oceanos ainda são pouco conhecidas.

A perda de espécies que sequer foram descritas pela ciência pode ser permanente se a mineração não for feita com extrema cautela.

A discussão internacional envolve interesses econômicos, tecnológicos e ambientais.

De um lado, está a demanda por minerais críticos para energias limpas. De outro, cresce o movimento que defende pausa ou moratória até que haja mais estudos e regulamentação eficaz.