Manter o bem-estar físico e mental ao envelhecer é um desejo comum da população. Com o passar do tempo, pessoas se tornam mais vulneráveis a transtornos que trazem riscos à sua lucidez. Uma destas condições é a demência.
O termo demência se refere a doenças neurodegenerativas que causam o declínio progressivo da memória, raciocínio, comportamento e autonomia. Esse conjunto costuma afetar pessoas em idade avançada e geralmente é associado a fatores genéticos.
Entretanto, um estudo recente mostra que essa condição também pode ser causada por fatores ligados ao estilo de vida. Essa descoberta oferece maior autonomia para que essas doenças graves sejam prevenidas de forma precoce e eficaz.
Demência e saúde cerebral
A pesquisa da Universidade de Lund, na Suécia, focou em 17 fatores que mais influenciam nos dois casos mais frequentes de demência: Alzheimer e a demência vascular. O trabalho contou com 494 participantes, com idade média de 65 anos.
Os fatores analisados foram: doença cardíaca, colesterol, medicamentos, histórico de AVC, idade, pressão arterial, tabagismo, diabetes, álcool, sono, gene APOE ε4, depressão, morar sozinho, IMC, sexo e escolaridade.
Depois, os cientistas investigaram como cada fator está associado com o declínio cognitivo. Os autores acreditam que, por meio desses exames, seria possível prevenir o desenvolvimento do transtorno em pacientes vulneráveis.
Os parâmetros usados para definir o impacto desses fatores foram as hiperintensidades da substância branca (HSB) e as proteínas beta-amiloide e tau. Esses indicadores biológicos sinalizam o estado da saúde neurológica.
As HSB são áreas danificadas do cérebro, frequentemente presentes em idosos ou pessoas com pressão alta e diabetes. A beta-amiloide forma placas na massa cefálica, enquanto a tau pode interromper o funcionamento das células.
O impacto dos vasos sanguíneos
Além dos exames de imagem, os pesquisadores coletaram amostras do líquido cefalorraquidiano dos voluntários. Eles notaram que a idade avançada acelera a progressão de danos na substância branca cerebral de maneira significativa.
O estudo identificou que a pressão alta e o tabagismo danificam os vasos sanguíneos. Esse processo interrompe o fluxo de oxigênio no cérebro, causando a morte de células em regiões vitais para a memória e cognição.
A baixa escolaridade também surgiu como um risco relevante na análise sueca. Isso ocorre, provavelmente, devido aos níveis mais altos de estresse e ao menor acesso a cuidados médicos preventivos durante a vida adulta.
Diabetes e peso corporal
Quanto ao diabetes, os cientistas notaram que a doença acelera o acúmulo de beta-amiloide. A resistência à insulina prejudica a limpeza dessa proteína, resultando em placas nocivas que caracterizam o quadro de Alzheimer.
Por outro lado, um índice de massa corporal (IMC) mais baixo foi associado ao aumento da proteína tau. Isso pode ocorrer porque o acúmulo de tau em áreas que controlam o apetite acaba reduzindo o peso e o metabolismo cerebral.
Embora a obesidade seja um risco conhecido, um IMC baixo na terceira idade pode sinalizar atrofia cerebral. Essa descoberta sugere que o monitoramento do peso é essencial para identificar alterações neurodegenerativas precoces.
Prevenção através do estilo de vida
Em suma, a pesquisa mostra que mudanças no estilo de vida podem reduzir drasticamente o risco de demência. Focar na saúde vascular e metabólica ajuda a proteger o cérebro de diversas lesões que ocorrem simultaneamente.
Os autores do estudo reforçam que a adoção precoce de hábitos saudáveis é a melhor estratégia de prevenção. Controlar o colesterol e a pressão arterial são passos fundamentais para garantir uma longevidade com mais lucidez.



