Documentos da Corregedoria da Polícia Militar de São Paulo revelam indícios de ligação do ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo, Milton Leite (União Brasil), à empresa de ônibus Transwolff, investigada por suspeita de ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC). O material foi obtido e divulgado inicialmente pela “TV Globo”.
A apuração militar investiga ainda a atuação de policiais em favor de dirigentes da empresa, que teve o contrato cancelado com a Prefeitura de São Paulo recentemente.
De acordo com os documentos, há indícios de uma relação financeira entre Leite, que mantém forte influência sobre a política de São Paulo há décadas, e a empresa de ônibus.
A construtora Neumax é apontada pela corregedoria como o elo financeiro entre o ex-vereador e a Transwolff. A empresa tem Leite como sócio e, conforme investigadores, pode ter sido utilizada para lavar dinheiro da empresa de ônibus.
Segundo reportagem da TV Globo, a análise da movimentação financeira da Neumax indica que, por meio da construtora, Leite recebia R$ 812 mil por mês da Transwolff pelo aluguel de um terreno vizinho ao Terminal Varginha, na zona sul da cidade, e de um conjunto industrial, também localizado na zona sul.
Ainda segundo a Corregedoria da PM, o valor pago estaria quase três vezes acima da média do mercado.
Prisões
Na semana passada, a Corregedoria determinou a prisão três policiais militares suspeitos de fazer segurança particular para dois dirigentes da Transwolff. A investigação mirava inicialmente na relação de PMs com a empresa.
Em nota, Leite afirmou que o valor do aluguel pago pela Transwolff segue o preço de mercado e que qualquer informação diferente disso se trata de ilação ou mentira.
A Transwolff informou que sempre contratou empresas de segurança devidamente estabelecidas e que continua se defendendo nas instâncias competentes, além de colaborar com as autoridades.
