Bad Bunny quebrou tabu no Super Bowl; por que isso é tão importante para os latino americanos?

Apresentação do cantor porto-riquenho tem como tema o orgulho pela cultura latina e reconhecimento de raízes

Shows de Bad Bunny, no Allianz Parque, ocorrem nesta sexta-feira e sábado

Benito Antonio Martinez Ocasio, o Bad Bunny, foi além das entrelinhas e utilizou simbolismo para transmitir uma mensagem de orgulho | Reprodução/Youtube Apple Music

“A única coisa mais poderosa que o ódio é o amor”. Foi com essa mensagem que o cantor Bad Bunny finalizou sua performance no Levi’s Stadium, levando para os tópicos mais comentados o orgulho de sua herança cultural e raízes latinas.

O show foi uma verdadeira homenagem não somente ao povo porto riquenho, mas à toda comunidade latina que muitas vezes é escanteada e preterida. 

Embora a América Latina represente grande parte do continente americano, o valor de sua cultura, tradições e, principalmente, idiomas, tende a ser inferiorizado dia após dia.

Bad Bunny veio para escancarar para o mundo inteiro que de inferior a latinidade não tem nada.

Show se tornou significativo para comunidade latina

Se apresentando para uma audiência de 135 milhões de pessoas no estádio e ao redor do globo, de acordo com levantamento feito pela NBC, Bad Bunny escreveu seu nome na história da música e do ativismo.

A estrela de 31 anos levou para o intervalo do Super Bowl uma apresentação quase inteiramente em espanhol, colocando a exaltação da cultura latino-americana como ponto central da noite.

Mensagens como “el espetáculo de medio tiempo del Súper Tazón”, isso é, “o espetáculo de intervalo do Super Bowl”, foram exibidas para o público no início da apresentação já antecipando como seria o desenrolar de toda a performance.

Dentre os momentos mais marcantes, vale citar o trecho onde o cantor subverte a expressão “Deus abençoe a América”, comumente usada de forma patriótica pelos estadunidenses; nele, Bad Bunny citou em espanhol (exceto os Estados Unidos) todos os países que compõem o continente americano. 

Uma maneira sutil, mas incisiva de mostrar que somos igualmente parte do todo que compõe as Américas, no plural, como continente e família. 

Bad Bunny transforma palco em seu país natal

Cada detalhe da performance foi pensado do início ao fim para ambientar o público a realidade das vivências porto riquenhas e latinas no geral.

Desde a representação de trabalhadores com vestimentas tradicionais a uma casinha típica, com a presença de famosas personalidades latinas como Pedro Pascal e Jessica Alba.

Em meio a uma era de forte preconceito perante imigrantes, com a presença do ICE agindo de forma truculenta para com latinos que vivem nos Estados Unidos, é de extrema importância Bad Bunny vocalizar com tamanho orgulho e responsabilidade o valor dessas vidas subjugadas. 

Apresentando seus maiores sucessos, o cantor embalou o intervalo do jogo de futebol americano com muito gingado, musicalidade e tempero.

Arte como protesto

Benito Antonio Martinez Ocasio, o Bad Bunny, foi além das entrelinhas e utilizou simbolismo para transmitir uma mensagem de orgulho ao empunhar a bandeira de Porto Rico com um triângulo azul-claro durante a performance da canção El Apagón.

O triângulo nessa tonalidade representa o grupo de rebeldes pró independência. O cantor subiu em um poste durante a música com fortes críticas sociais, que causou um “apagão” no estádio.

Muito mais aconteceu: um casamento de verdade, a representação de uma Nova York latina, Ricky Martin cantando Lo que le pasó a Hawaii do próprio Bunny, Lady Gaga performando Die with a Smile e entrega de um troféu do Grammy para um ator mirim que simbolizava o próprio Bad Bunny mais novo.

A comunidade latino-americana se viu representada e orgulhosa de quem é. Mesmo diante de críticas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Bad Bunny entrou para o seleto grupo de artistas que marcaram a história do Super Bowl.