O roteiro das semifinais do Campeonato Paulista 2026 reserva um duelo curioso que revela o abismo financeiro entre os clubes da competição.
De um lado, o Corinthians, time da capital do Estado, avaliado em aproximadamente R$ 712,7 milhões.
Do outro, o Novorizontino, equipe de uma cidade de cerca de 40 mil habitantes, com valor de elenco estimado em R$ 68,5 milhões, segundo dados do Transfermarkt. Um montante 10 vezes menor que o do adversário.
As equipes se enfrentam neste sábado (28/2), às 20h30, no Estádio Jorge Ismael de Biasi, o “Jorjão”, em Novo Horizonte.
Diferença financeira e competitividade
Apesar da disparidade econômica, o time do interior do Estado não fica devendo quando o assunto é bola no pé.
A equipe do Novorizontino é a primeira colocada na classificação geral do torneio, à frente, inclusive, do próprio Corinthians.
Para Fábio Wolff, sócio-diretor da Wolff Sports e especialista em marketing esportivo, esses resultados não são por acaso.
“O Novorizontino é um exemplo claro de que receita menor não significa, necessariamente, menor competitividade. O clube tem investidores fortes, um modelo de gestão muito bem estruturado e uma estratégia clara de aplicação dos recursos. Além disso, vem construindo um ambiente atrativo para patrocinadores, com visibilidade e credibilidade no mercado. Esse conjunto fortalece a marca, amplia as receitas comerciais e permite que o time bata de frente com equipes de orçamento muito superior”, afirma.
Campanha e momento do Novorizontino
Fundado em 2010 para preencher o vazio deixado pelo antigo Grêmio Esportivo Novorizontino, o clube alcançou crescimento progressivo no futebol paulista, após iniciar trajetória nas divisões inferiores do estado.
De lá para cá, o novo time viveu uma escalada: saiu da quarta divisão estadual, em 2012, para a disputa de uma semifinal do torneio em 2026.
Na atual edição do campeonato, a equipe venceu o Palmeiras por 4 a 0 na primeira fase e eliminou o Santos nas quartas de final.
Além disso, a equipe possui os artilheiros do Paulistão, Robson e Rômulo, dupla que soma sete e cinco gols, respectivamente.
Esse resultado de crescimento, segundo Moisés Assayag, sócio-diretor da Channel Associados e especialista em finanças do futebol, pode ser explicado pelo modelo de gestão do clube.
“O Novorizontino exemplifica bem que boas gestões e estruturas adequadas são capazes de alavancar equipes a patamares superiores de desempenho em campo, muito além do próprio orçamento. O contrário também é válido: dinheiro mal gasto, mal aplicado, pode jogar grandes potências em orçamento para baixo. De novo, o segredo é fazer o dever de casa fora de campo, o campo responde”, afirma.
