Adeus ao Parkinson: ciência japonesa aprova células que ‘voltam no tempo’ para curar

Tratamento usa tecnologia Nobel para transplantar milhões de neurônios vivos e reconstruir o cérebro de pacientes já em 2026

Ciência japonesa promete revolucionar tratamento de casos de Parkinson no mundo

Ciência japonesa promete revolucionar tratamento de casos de Parkinson no mundo | Nissim Benvenisty/Wikimedia Commons

A ciência japonesa acaba de oficializar uma mudança histórica no tratamento do Parkinson com a aprovação do medicamento Amchepry.

Essa nova terapia abandona o uso exclusivo de remédios paliativos para apostar na regeneração direta do cérebro com células-tronco.

Diferente de tudo o que existe, o método da Sumitomo Pharma usa células reprogramadas para “devolver” ao paciente o que a doença destruiu.

Com a luz verde das autoridades nesta sexta-feira (6/3)a expectativa é que os primeiros pacientes recebam o transplante ainda em 2026.

Segredo das células que voltam no tempo

O coração da nova tecnologia são as células iPS, uma descoberta que rendeu o Prêmio Nobel de Medicina ao Japão em 2012.

Essas estruturas funcionam como células “rejuvenescidas” que, em laboratório, ganham a capacidade de se transformar em qualquer tecido.

No caso do Parkinson, os cientistas criam novos neurônios dopaminérgicos para substituir aqueles que pararam de funcionar no corpo.

Essa técnica ataca a raiz do problema: a falta de dopamina, substância que controla os movimentos e a coordenação motora.

Do laboratório para o cérebro do paciente

Os testes na Universidade de Kyoto envolveram sete voluntários que receberam milhões de células saudáveis de doadores externos.

O procedimento mostrou que é possível repovoar o cérebro com segurança, apresentando melhoras reais nos tremores e na rigidez muscular.

A aprovação do governo é do tipo condicional, o que acelera a chegada do produto ao mercado enquanto novos dados são colhidos.

Segundo o divulgado, a estratégia garante que a inovação não fique presa em burocracias, chegando mais rápido aos quase 10 milhões de doentes no mundo.

Nova era para o coração e sistema motor

O pacote de inovações do Ministério da Saúde japonês também inclui o ReHeart, voltado para casos graves de insuficiência cardíaca.

Nesse caso, lâminas de músculo cultivadas são aplicadas no coração para criar novos vasos sanguíneos e restaurar o órgão.

As duas frentes mostram que o Japão lidera a corrida da medicina regenerativa, transformando laboratórios em “oficinas” de órgãos.

A previsão é que os tratamentos comecem a ser aplicados em larga escala a partir do meio deste ano nas clínicas japonesas.