Sangue artificial: o que se sabe sobre a pesquisa que pode revolucionar transfusões

Estudo liderado por Hiromi Sakai avança em testes clínicos e busca criar substituto universal para transfusões

Mudança representa uma flexibilização pontual, mas preserva um dos pilares mais conhecidos da doutrina do grupo

Sangue artificial: tecnologia é produzida a partir da hemoglobina, proteína responsável pelo transporte de oxigênio no organismo | Reprodução/Freepik

O Japão avança em uma pesquisa que pode transformar a medicina moderna: o desenvolvimento de um sangue artificial compatível com todos os tipos sanguíneos. 

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Ainda em fase de testes clínicos, a iniciativa busca reduzir a dependência de doações e ampliar o acesso a transfusões em situações de emergência.

A expectativa dos pesquisadores é que o produto possa ser utilizado em hospitais até 2030, caso segurança e eficácia sejam confirmadas.

Como funciona o sangue artificial

A tecnologia é produzida a partir da hemoglobina — proteína responsável pelo transporte de oxigênio no organismo. 

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Essa substância é retirada de bolsas de sangue vencidas e envolvida por uma camada protetora de lipídios.

O processo cria pequenas vesículas artificiais que imitam a função dos glóbulos vermelhos. 

Como não possuem marcadores dos tipos sanguíneos A, B, AB ou O, essas estruturas podem ser administradas sem necessidade de testes de compatibilidade.

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Pesquisadores destacam ainda que o material é considerado livre de vírus e capaz de transportar oxigênio de forma semelhante ao sangue humano.

Validade maior e logística facilitada

Uma das principais vantagens apontadas é o tempo de armazenamento. O sangue convencional exige compatibilidade entre doador e receptor e pode ser armazenado por até 42 dias.

A versão artificial apresenta duração significativamente maior. Segundo o divulgado pela equipe, o material pode ser mantido por até dois anos em temperatura ambiente e até cinco anos sob refrigeração.

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Testes clínicos e próximos passos

Os primeiros testes em voluntários saudáveis não registraram efeitos adversos significativos.

Nesta fase, os cientistas pretendem administrar volumes entre 100 e 400 mililitros para ampliar a avaliação de segurança.

Em etapas posteriores, o objetivo será testar a eficácia em situações clínicas mais complexas, como hemorragias e atendimentos de emergência.

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Especialistas avaliam que a tecnologia pode ter uso estratégico quando não há tempo para identificar o tipo sanguíneo do paciente. 

Escassez global impulsiona pesquisa

O desenvolvimento ocorre em um contexto de queda nas doações em diferentes países. Segundo pesquisas da Organização Mundial da Saúde, dezenas de nações enfrentam dificuldades para manter estoques suficientes, o que reforça a busca por alternativas sintéticas e universais.

Apesar dos avanços, especialistas apontam que a produção em larga escala e a comprovação total de segurança ainda são desafios antes do uso generalizado. O ato de doar sangue é considerado fundamental para salvar vidas