Com a retomada dos trabalhos legislativos em 2026, o Congresso Nacional volta ao centro do debate, não só pelas votações, mas pelo custo da máquina legislativa. O orçamento de R$ 18 bilhões coloca o Brasil entre os países que mais gastam com o Parlamento em relação ao PIB.
Para entender o tamanho desse gasto, é preciso separar duas contas: o custo de funcionamento da estrutura do Congresso e os recursos destinados às emendas parlamentares.
Quanto custa um deputado: R$ 3,2 milhões por ano
Levantamento do Portal da Transparência indica que cada um dos 513 deputados federais gera um custo médio de R$270 mil por mês. Em um ano, o gasto por parlamentar chega a cerca de R$ 3,2 milhões.
Veja como esse valor é composto:
O salário (subsídio) de um parlamentar é de R$ 46.366 por mês. Além disso, cada gabinete pode utilizar até R$ 125 mil mensais para pagamento de assessores por meio da verba de gabinete.
Os deputados também têm acesso à Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar, conhecida como “cotão”, que gira em torno de R$ 44.952 por mês, destinada a despesas como passagens, combustíveis, consultorias e divulgação da atividade parlamentar.
Há ainda o auxílio-moradia, de R$ 4.253 mensais, pago aos parlamentares que não moram no apartamento funcional em Brasília.
Somente com as despesas diretas dos deputados, o total ultrapassa R$ 1,4 bilhão por ano. O orçamento geral da Câmara, que varia entre R$ 10 bilhões e R$ 12 bilhões, inclui ainda a manutenção de uma ampla estrutura administrativa, com milhares de servidores e custos operacionais.
Brasil vs. Mundo: o exército de assessores
Uma das principais diferenças entre o Brasil e outras democracias está no tamanho das equipes de apoio aos parlamentares. Enquanto deputados europeus costumam trabalhar com estruturas mais enxutas, a Câmara brasileira mantém 14.001 servidores vinculados aos gabinetes e à atividade legislativa.
- Brasil: média de 27 assessores por deputado;
- Reino Unido: média de 4,7 assessores por parlamentar.
- Estado Unidos: a Câmara brasileira possui 51% mais servidores que a norte-americana, mesmo com população e PIB menores.
Especialistas apontam que parte dessa estrutura é explicada pela fragmentação partidária — hoje com mais de 30 siglas no Congresso — e pela necessidade de manter atendimento político em bases eleitorais espalhadas pelo país.
A polêmica do “Cotão” e os gastos logísticos
Outro ponto de debate é a Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar, conhecida como “cotão”. O mecanismo permite o reembolso de despesas como combustíveis, passagens, aluguel de veículos e até fretamento de aeronaves.
Em 2025, a deputada Renilce Nicodemos (MDB-PA) registrou R$355 mil em gastos com fretamento de aviões, caso que chamou atenção para o volume de despesas autorizadas pelo sistema.
Parlamentares argumentam que, em regiões como a Amazônia, o transporte aéreo muitas vezes é a única forma de acesso a municípios distantes. Ainda assim, relatórios do TCU apontam falhas de controle e questionam a eficiência de parte desses gastos.
Reformas travadas no Congresso
Propostas para reduzir o número de assessores ou rever benefícios parlamentares aparecem com frequência no debate político, mas avançam lentamente no Congresso.
Analistas avaliam que uma redução estrutural de custos dependeria de mudanças mais amplas no sistema político, como a diminuição da fragmentação partidária e a simplificação das estruturas de liderança no Legislativo.
Enquanto essas reformas não avançam, o custo de funcionamento do Congresso segue no centro das discussões sobre equilíbrio fiscal e eficiência do gasto público em 2026.
