O Metrô de São Paulo está deixando de agir apenas após falhas para adotar um modelo que antecipa problemas, usando inteligência artificial.
A tecnologia já está sendo aplicada em itens que costumam trazer dores de cabeça aos passageiros, como portas de plataforma e sistemas de climatização dos trens, informou o Relatório Integrado 2025, divulgada nesta quarta-feira (25/3) pela companhia.
Os modelos utilizam dados históricos de operação e manutenção para identificar padrões e apontar quais equipamentos têm maior probabilidade de apresentar problemas.
Com isso, as equipes conseguem agir de forma preventiva, antes que a falha impacte a circulação.
Sistema de refrigeração
Um dos principais usos da inteligência artificial está no sistema de ar-condicionado dos trens, especialmente na Linha 15-Prata.
Nesse caso, a inteligência artificial consegue identificar qual tipo de falha está presente entre diferentes possibilidades de defeito, tendo uma assertividade superior a 95%.
Na prática, isso permite diagnósticos mais rápidos e direcionados, reduzindo o tempo de manutenção e evitando que composições circulem com problemas.
Operação das portas de plataforma
Outro avanço ocorre nas portas de plataforma, instaladas nas estações para aumentar a segurança dos passageiros.
O sistema analisa o desempenho desses equipamentos e gera um ranking com maior risco de falha, permitindo priorizar a manutenção.
Ainda segundo o documento, a adoção da tecnologia teve aproximadamente 70% de assertividade e pode ampliar em cerca de 292 horas por ano o tempo de disponibilidade desses equipamentos em estações monitoradas.
Inovação para diminuir falhas
O uso da tecnologia marca uma mudança no modelo de operação. Em vez de atuar apenas após falhas, o Metrô passa a antecipar riscos e programar intervenções com base em dados, o que tende a diminuir ocorrências durante o funcionamento normal das linhas.
A aplicação de inteligência artificial faz parte de um conjunto de iniciativas voltadas à modernização do sistema.
O relatório também aponta o uso de ferramentas digitais e automação para aumentar a eficiência operacional e reduzir custos ao longo dos próximos anos.
Com a adoção desses modelos, a companhia busca melhorar a regularidade do serviço e reduzir impactos no dia a dia dos passageiros, em um cenário em que a demanda segue próxima aos níveis pré-pandemia e o sistema opera com alta utilização.
