O consumidor brasileiro deve preparar o bolso para um aumento moderado nos preços dos pescados em 2026. Impulsionado pela alta nos custos da ração e pelos efeitos climáticos na aquicultura, o setor projeta um reajuste que deve acompanhar a inflação, com picos de alta nos produtos importados e de captura marítima. Especialistas apontam que, após um 2025 de ajustes severos, o cenário atual exige cautela e substituição de espécies para aliviar o impacto no orçamento familiar.
O “Termômetro” da Capital Federal
Apesar do cenário de preços pressionados, o comércio do Distrito Federal demonstra otimismo para o período da Quaresma. De acordo com sindicatos patronais e associações de supermercados locais, a expectativa é de um crescimento nas vendas superior ao registrado no ano passado.
O DF, que possui um dos maiores consumos per capita de peixe do país, aposta em estratégias de estoque antecipado para segurar repasses bruscos. “A tradição do consumo de peixe na Semana Santa continua movimentando o comércio do Distrito Federal. A pesquisa mostra que os lojistas estão preparados, com estoques ajustados e oferta alinhada a um consumidor mais atento aos preços e inclinado a buscar opções mais acessíveis”, avalia o presidente do Sistema Fecomércio-DF, José Aparecido Freire ao Correio Braziliense.
Raio-X dos preços: por que a conta subiu?
O aumento não é fruto do acaso, mas de uma combinação de fatores estruturais que atingem a cadeia produtiva:
Custo de Insumos: A ração (soja e milho) representa cerca de 70% do custo da tilápia e do tambaqui. A valorização das commodities impede uma queda nos preços na gôndola.
Logística e Diesel: O transporte rodoviário do litoral até o Planalto Central encarece o produto, especialmente para peixes frescos.
Câmbio: Itens como o Salmão do Chile e o Bacalhau da Noruega seguem atrelados ao dólar, mantendo-se como opções de alto valor agregado.
Preços estabilizam em novo patamar
A expectativa para o segundo semestre de 2026 é de preços estabilizados em um novo patamar, sem quedas acentuadas devido aos altos custos de produção herdados de 2025. No Distrito Federal, o desempenho das vendas na Semana Santa será o termômetro para consolidar o peixe como proteína frequente na dieta local, testando a resiliência do setor diante dos preços pressionados.





