Os professores da rede estadual de ensino de São Paulo iniciam, nesta quinta-feira (9/4), uma paralisação de 48 horas convocada pela APEOESP (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de SP).
O movimento, no entanto, terá um caráter gradual: enquanto o primeiro dia será dedicado à conscientização da comunidade escolar, a sexta-feira (10/4) deve registrar a suspensão total das atividades em diversas unidades para a realização de uma assembleia geral no vão livre do MASP.
Apesar da confirmação por parte das bases sindicais à Gazeta, como a subsede da Vila Mariana, a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (SEDUC-SP) não reconhece a oficialidade do movimento.
Quinta-feira (9/4): Mobilização nas escolas
Diferente de greves tradicionais com portões fechados desde o primeiro minuto, a orientação do sindicato para esta quinta-feira (9/4) é de mobilização interna.
O objetivo é fortalecer a base e dialogar com quem utiliza o serviço público.
- Atividades previstas: Reuniões com pais, alunos e responsáveis para explicar as reivindicações da categoria.
- Funcionamento: As escolas devem permanecer abertas, mas o ritmo das aulas pode ser alterado conforme a adesão dos docentes em cada unidade.
- Pauta de diálogo: Os professores buscam apoio contra o PL 1316/2025 (Reforma Administrativa) e cobram melhorias na infraestrutura escolar diante das recentes ondas de calor.
Sexta-feira (10/4): Paralisação total e Assembleia no MASP
Na sexta-feira (10/4), a estratégia muda para a paralisação efetiva. Professores de todo o estado são convocados a cruzar os braços e seguir para a capital paulista.
- O evento: Assembleia Estadual no vão livre do MASP, às 16h.
- O que será decidido: A categoria votará se as negociações com o Governo de São Paulo avançaram ou se a rede entrará em greve por tempo indeterminado.
- Reivindicação salarial: A categoria cobra o cumprimento integral da jornada do piso nacional, que em 2026 está fixado em R$ 5.130,63.
Reivindicações da APEOESP
Segundo o sindicato, a paralisação ocorre em meio a uma série de reivindicações ligadas à carreira, condições de trabalho e políticas educacionais.
Entre os principais pontos apresentados pela categoria estão:
- Reajuste do piso nacional no salário-base, com impacto em toda a carreira
- Aplicação correta da jornada do piso, com divisão entre aulas com e sem estudantes
- Retirada do Projeto de Lei 1316/2025, que trata da reforma administrativa da Educação
- Revogação do modelo de avaliação de desempenho considerado punitivo
- Garantia de atribuição de aulas de forma presencial e transparente
- Ampliação da oferta de aulas no período noturno, incluindo ensino regular e EJA
- Fortalecimento da educação especial inclusiva
- Convocação de mais professores concursados
- Pagamento de valores retroativos ligados ao tempo de serviço congelado na pandemia
- Devolução de valores descontados de aposentados e pensionistas
O sindicato também defende que não haja professores sem aula nem estudantes sem professores, apontando problemas na distribuição de turmas e na organização da rede.
