Até 1986, Marcelo Moreira trabalhava como estivador no Porto de Santos, e era conhecido por ser briguento. Só mudou de vida quando conheceu a luta de braço, esporte que se dedica até então e que o fez se formar em educação física e rodar o mundo.
“A luta de braço não me deu dinheiro, mas me fez conhecer 30 países”, disse o lutador após uma rodada de competições na Arnold Sports South America 2026, neste sábado (25/4), em São Paulo.
Hoje, aos 54 anos, o atleta compete por Capivari, cidade onde vive no interior paulista, e segue empolgado com a atividade. “O esporte me deu tudo o que conquistei, como ser o primeiro a se formar da minha família”, completou.
Ele também o papel da mídia e das redes sociais para divulgar a modalidade, que é dividida profissionalmente por peso e idade. “Na nossa época não tinha nada disso, mas a gente sempre seguiu em frente”.
Outro atleta que estava na competição era o paranaense Osni Alves de Moraes, que compete pela cidade de Rolândia, no interior do Paraná desde 1996.
“Já viajei o Brasil e outros países para competir. Comecei na década de 1990 e nunca mais parei”, destacou.
Ex-estivador, Marcelo compete hoje por Capivari/Yuri Villaça/Gazeta de S.Paulo
Destacou na entrevista a necessidade de um treino específico para evitar lesões e superar os adversários. As disputas costumam ser curtas, com duração inferior a um minuto. Às vezes, abaixo de poucos segundos.
Ele disse que percebe um maior interesse pelo esporte, e exalta seus heróis. “Meu ídolos no esporte são [o norte-americano]John Brzen e o brasileiro Wagner Bortolato”, afirmou.
O que é a luta de braço
A luta de braço (popularmente conhecida no Brasil como queda de braço ou braço de ferro) é uma prática de disputa de força e técnica em que dois oponentes se enfrentam utilizando apenas um dos braços.
Atleta em ação durante o Arnold 2026/Yuri Villaça/Gazeta de S.Paulo
O objetivo principal é forçar a mão e o antebraço do adversário para baixo até encostá-los na superfície da mesa. As disputas são divididas por peso e idade.
Embora seja uma brincadeira comum e informal, a luta de braço é também um esporte profissional altamente organizado, com federações, regras estritas, categorias de peso e campeonatos mundiais.
No esporte regulamentado, por exemplo, disputa não ocorre em qualquer superfície, mas sim em uma mesa padronizada

Ex-estivador, Marcelo compete hoje por Capivari/Yuri Villaça/Gazeta de S.Paulo