Aos 57, Odilon Batista celebra vaga no Master Olympia e reflete sobre carreira

Tricampeão falou sobre desafios, quebra de estigmas e importância da massa muscular para a longevidade

Odilon Batista logo após a entrevista à TV GMG durante o Arnold Sports 2026

Odilon Batista logo após a entrevista à TV GMG durante o Arnold Sports 2026 | Yuri Villaça/Gazeta de S.Paulo

O fisiculturismo vai muito além das horas gastas puxando ferro na academia; trata-se de um estilo de vida ininterrupto. Foi com essa premissa que o tricampeão Odilon Batista, de 57 anos, abriu sua entrevista no estande da TV GMG, durante o evento Arnold Sports South America 2026 neste sábado (25/4_.

Natural de Santos, no litoral paulista, o atleta acumula impressionantes 42 anos dedicados ao esporte, uma jornada que começou aos 15 anos como válvula de escape para o bullying que sofria por ser muito magro. Hoje, é uma das estrelas do Arnold 2026.

Hoje, consolidado como um dos grandes nomes do esporte, Odilon compartilhou os bastidores de sua preparação e os sacrifícios necessários para se manter no topo de uma modalidade de alta exigência.

“O fisiculturismo exige muita disciplina e constância. Você precisa ser muito regrado, principalmente com alimentação e descanso. Ficar longe de álcool, baladas… A rotina é intensa”, destacou o atleta.

Ele disse que, fora competição, treina cerca de 1h30 por dia. Em preparação, pode chegar a 3 horas. A alimentação é fundamental, com foco em proteína, e o descanso também, para recuperação.

Vida de renúncias e disciplina

A rotina de um atleta de elite exige uma constância que, muitas vezes, afeta a vida social. Fora de competição, Odilon treina cerca de 1h30 por dia, tempo que dobra para até 3 horas nas fases de preparação. Contudo, o verdadeiro desafio acontece fora da academia.

“O treino é só uma parte. O restante do dia é o mais difícil. É um estilo de vida 24 horas”, destacou o atleta.

Para ilustrar o peso de suas escolhas, Odilon relembrou sua formatura em Educação Física, em 1997. 

OOdilon revelou sacrifícios da vida de atleta/Renan Lousada/Gazeta de S.Paulo

“A cada cinco anos, minha turma se reúne. Em 90% das fotos desses encontros, eu não estou. Enquanto o pessoal ia para a churrascaria ou para o barzinho, eu tinha a minha regra e não podia estar lá. A parte social é sacrificada, mas é uma escolha consciente”, relembrou.

Musculação como aliada da saúde

Se hoje o fisiculturismo atrai multidões a eventos como o Arnold Sports e inspira jovens nas redes sociais, o cenário no passado era bem diferente. Odilon recordou os estigmas atrelados aos praticantes de musculação, frequentemente associados ao uso exclusivo de drogas, ao narcisismo extremo ou a preconceitos infundados.

“Com a internet, isso foi mudando para o bem. Hoje os jovens se espelham na gente. A informação ficou mais acessível e a mídia ajudou a mudar essa visão”, celebrou.

Ele destacou como os exercícios garantem um envelhecimento saudável/Renan Lousada/Gazeta de S.Paulo

Para além da estética, o veterano fez questão de ressaltar o papel vital da musculação para o envelhecimento saudável. Ele explicou que, a partir dos 40 anos, o corpo humano passa a enfrentar a sarcopenia (perda natural de massa muscular).

“Daí para frente, se você mantiver a sua massa muscular, já está ganhando. É isso que separa quem vai ter qualidade de vida na melhor idade. Poder levantar sozinho do sofá, ir à feira, subir escadas sem ficar ofegante”, ensinou.