Defesa de Paulo Preto quer transferir caso à Justiça Eleitoral

Na ação, que corre na Justiça Federal desde o dia 1º de março, Paulo Preto é acusado das práticas de corrupção e lavagem

A denúncia contra Paulo Preto, ex-diretor de Engenharia da Dersa, foi feita pela força-tarefa da Lava Jato

A denúncia contra Paulo Preto, ex-diretor de Engenharia da Dersa, foi feita pela força-tarefa da Lava Jato | /Mateus Bruxel/Folhapress

A defesa de Paulo Vieira de Souza (ex-diretor de Engenharia da Dersa), o suspeito de ser operador do PSDB conhecido como Paulo Preto, pediu ao ministro do STF Gilmar Mendes que envie um dos processos em que seu cliente é réu para a Justiça Eleitoral. Na ação, que corre na Justiça Federal desde o dia 1º de março, Paulo Preto é acusado das práticas de corrupção e lavagem de dinheiro. A acusação diz que, nesse caso, ele lavou R$ 27 milhões dos R$ 126 milhões que passaram por suas contas na Suíça.

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Para a defesa, comandada pelo advogado Alessandro Silvério, os episódios relatados pelo Ministério Público Federal são os mesmos narrados em um inquérito que foi enviado no ano passado, pela Segunda Turma do Supremo, à Justiça Eleitoral paulista.

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O principal alvo desse inquérito era o ex-governador José Serra (PSDB). Inicialmente, também era investigado o ex-senador Aloysio Nunes (PSDB-SP), mas as apurações foram divididas. O caso de Nunes foi arquivado.

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Em agosto de 2018, além de decidir pelo envio do caso para o eleitoral, a Segunda Turma entendeu que as acusações contra Serra estavam prescritas. Gilmar era relator do inquérito -essa ligação levou o pedido da defesa de Paulo Preto a ser distribuído diretamente para o ministro. Serra sempre negou que tivesse qualquer envolvimento em irregularidades e diz que não tinha responsabilidade sobre arrecadações de campanha. Aloysio também sempre negou as suspeitas.

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Para Silvério, os fatos apontados na ação contra Paulo Preto “são exatamente os mesmos já objeto de apuração” no eleitoral.

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Entre esses fatos lista “a suposta existência de cartel e outras irregularidades nas obras do Rodoanel Trecho Sul e em outras obras” entre 2007 e 2010, as acusações de pagamentos de propina correspondentes a 0,75% dos valores das medições, alterações em contratos firmados com empreiteiras e as suspeitas de que Paulo Preto intermediaria repasses para as campanhas de Serra e Aloysio em 2010.Também cita a participação do doleiro Adir Assad, um dos delatores do esquema, nessas operações. A defesa afirma ainda que, caso Gilmar não entenda que deva decidir sozinho a respeito do envio da ação, ponha o caso em julgamento na Segunda Turma. O pedido do advogado foi protocolado no último dia 4.

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A denúncia contra o ex-diretor de Engenharia da Dersa foi feita pela força-tarefa da Lava Jato do Ministério Público Federal em São Paulo em fevereiro. Paulo Preto tem negado ter cometido crimes, mas admitiu à Receita Federal ser o dono de quatro contas na Suíça. (FP)