Relator de MP propõe reincorporar cubanos ao programa Mais Médicos

A proposta foi apresentada nesta terça-feira (17) em comissão que analisa a medida provisória que cria o Médicos pelo Brasil Por Folhapress De São Paulo

Médicos cubanos que faziam parte do Mais Médicos poderão voltar a atuar no programa por até dois anos. A proposta consta de relatório apresentado nesta terça-feira (17) em comissão que analisa a medida provisória que cria o Médicos pelo Brasil, programa que deve substituir gradativamente o Mais Médicos.

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Nesse período de dois anos, os médicos devem fazer provas de revalidação do diploma e receber o valor integral da bolsa paga aos profissionais. Se aprovados, poderão continuar a exercer a profissão.
Segundo o relator, o senador Confúcio Moura (MDB-RO), a sugestão visa atender a uma “excepcionalidade” da situação vivida pelos médicos cubanos que decidiram permanecer no Brasil após o anúncio do fim da sua participação no programa.

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A estimativa atual do governo é que cerca de 1.800 médicos cubanos tenham permanecido no país.

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No relatório, Moura sugere que os médicos voltem a atuar no Mais Médicos por até dois anos, mas sem que o contrato seja intermediado por entidades. Neste caso, o valor da bolsa, hoje de R$ 11.800, seria pago diretamente aos profissionais –antes, a maior parte desse valor era destinado ao país caribenho, que enviava os médicos por meio de um acordo com a Opas (Organização Panamericana de Saúde).

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O relator diz ter feito a proposta para atender apelos de parlamentares “em função da situação humanitária difícil em que se encontram esses profissionais e da sua importância para a atenção à saúde nas localidades mais carentes”.

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“Em atendimento a essas demandas, proponho o estabelecimento de regra excepcional e transitória no projeto, para que os médicos cubanos que exerciam suas atividades por ocasião da ruptura do convênio com a Opas possam ser admitidos diretamente pelo Ministério da Saúde, na condição de médicos intercambistas, sem a intermediação de qualquer entidade”, aponta.

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Inicialmente, a comissão chegou a analisar que os médicos cubanos atuassem como “apoiadores” dos médicos brasileiros. Neste caso, eles receberiam R$ 3.400, valor semelhante ao pago em programas de residência médica.

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Em meio aos debates, no entanto, o relator optou por sugerir a reinclusão dos médicos no Mais Médicos de forma excepcional.

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Proposta de mudança no Revalida

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O relatório traz outras mudanças. Entre elas, está a realização de duas provas por ano do Revalida, nome dado ao exame de revalidação de diploma para médicos estrangeiros. Hoje, o exame tem sofrido atrasos e impasses judiciais. A última edição da prova, por exemplo, ocorreu em 2017.

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O exame também passaria a ter novas regras, como a possibilidade de que médicos aprovados na primeira fase, mas reprovados na segunda, possam ir direto para a última etapa em nova tentativa. “Seria o mesmo que a OAB [Ordem dos Advogados do Brasil] já faz”, afirmou Moura ao expor o relatório.

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Pela proposta, as custos da realização do exame também passariam a ser cobrados dos inscritos. O texto também abre espaço para maior participação de faculdades privadas nesse processo.

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As medidas vão ao encontro de propostas já em discussão dentro do Ministério da Educação.
As sugestões ocorrem em texto de medida provisória encaminhado em agosto ao Congresso e que cria o programa Médicos pelo Brasil. A previsão é que o programa, que deve substituir o Mais Médicos de forma progressiva, tenha 18 mil vagas e novas regras de seleção e distribuição dos profissionais.

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Após a apresentação do relatório, parlamentares solicitaram vista coletiva da nova versão do texto.

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Segundo o presidente da comissão, o deputado Ruy Carneiro (PSDB-PB), a expectativa é que o debate seja retomado já na próxima semana. Se aprovado, seguirá para os plenários da Câmara e do Senado.

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Iniciado há um mês, o debate na comissão envolveu sete audiências públicas e análise de cerca de 366 emendas. A situação dos cubanos e as mudanças no Revalida foram algumas das principais demandas de mudanças no texto da medida provisória.

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Para Carneiro, a discussão foi técnica. “A política não contaminou o ambiente”, afirma ele, para quem os debates deixaram de lado debates sobre “Lula e Bolsonaro”.

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A situação difere do lançamento do programa, ocorrido em agosto e marcado por ataques às gestões anteriores. Na ocasião, o presidente Jair Bolsonaro fez críticas aos cubanos, afirmando que “se fossem tão bons assim, teriam salvado a vida de Hugo Chávez”, em referência ao líder venezuelano que morreu em decorrência de um câncer em 2013 e que visitara Cuba para tratamento.

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*Natália Cancian da Folhapress