Câncer também atinge mulheres jovens

Mais mulheres abaixo dos 35 anos são diagnosticadas com a doença; causas têm a ver com o estilo de vida e mudança de comportamento Por Vanessa Zampronho De São Paulo

No Outubro Rosa, mês que se lembra da importância da prevenção do câncer de mama, um alerta: em 2018, 59.700 mulheres foram diagnosticadas com câncer de mama. Os dados são do Inca (Instituto Nacional de Câncer), que ainda informa que esse é o tipo mais comum entre as mulheres, depois do câncer de pele. Mas há outro dado que chama a atenção, segundo o Instituto Oncoguia. Atualmente, 5% dos casos são detectados em mulheres abaixo dos 35 anos – historicamente, essa taxa ficava em torno dos 2%.

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“Sabemos que, hoje em dia, a incidência está aumentando entre mulheres jovens, e tem a ver com o estilo de vida: obesidade, estresse, falta de exercício físico e má alimentação”, explica a mastologista Vanessa Donateli, do IBCC (Instituto Brasileiro de Controle do Câncer). Outra causa do câncer é a exposição, por mais tempo, das mamas aos hormônios femininos, como o estrogênio e a progesterona – hoje as mulheres deixam para ter filhos mais tarde e menstruam mais cedo.

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Esses e outros fatores, como o tabagismo e consumo de álcool mexem em um delicado mecanismo do corpo humano: o da multiplicação das células. “Eles afetam a replicação do DNA das células, causando uma mutação, e elas começam a crescer sem controle, causando o tumor na mama”.

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Aliás, 90% dos casos de câncer de mama são causados por fatores externos, como os descritos acima e apenas 10% deles têm origem genética. Mas isso não significa se a mãe, irmã ou tia tiveram câncer, que mulheres da mesma família também vão desenvolver a doença. “O risco não é diretamente proporcional. Neste caso, indicamos realizar os exames de rastreamento”, disse.

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Esses exames ajudam a detectar, de forma precoce, se há alterações no tecido mamário. Antes dos 40 anos as mulheres devem fazer ultrassonografia das mamas e, a partir dos 40, a mamografia entra na lista do check-up. Antes disso, somente se há casos de câncer na família. Mas um exame é fundamental e nunca deve ser deixado de lado: o autoexame das mamas. A mastologista recomenda fazer todos os meses, uma semana depois da menstruação. “No autoexame encontramos lesões a partir de 1 centímetro, e podemos detectar alterações no mamilo e na pele da mama”.

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Fazendo os exames e detectando o câncer precocemente, as chances de cura chegam a 95%. Uma vez que se descobre o tumor, o médico avalia o grau da doença e o tratamento a ser realizado, que podem incluir cirurgia, quimioterapia, radioterapia e hormonioterapia. “Depois do tratamento, fazemos o acompanhamento, e falamos em cura se, depois de cinco anos, não aparecerem mais focos de câncer”, completa.