Luciano Huck defende doações privadas em campanha eleitoral e parlamentarismo

O apresentador defendeu mudanças no financiamento de campanhas, disse apoiar o voto distrital e demonstrou simpatia pelo parlamentarismo Por Folhapress De São Paulo

Cotado para concorrer à Presidência da República em 2022, o apresentador Luciano Huck despistou sobre seus planos, mas falou muito de eleições e política em um evento nesta sexta-feira (25) em São Paulo. Ele defendeu mudanças no financiamento de campanhas, disse apoiar o voto distrital e demonstrou simpatia pelo parlamentarismo.

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“Acho que a gente tem que rever doações. Com critérios, mas não pode ser única e exclusivamente um fundo público que vá sustentar os partidos e as eleições”, afirmou em seminário da Comunitas, organização independente que atua em parceria com governos e iniciativa privada.

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“Você limitar o financiamento político-partidário e eleitoral só a um fundo público, no montante que ele está hoje, gerido e administrado por quem está dentro dele, eu não acho que seja o sistema mais eficiente e democrático”, disse.

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Para ele, o que existia “no passado, de você poder doar para todo mundo, a qualquer tempo, independentemente da sua ideologia e da sua crença, não funcionou. Tem que trazer isso para o debate de novo”.

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O apresentador da TV Globo, que não está filiado a nenhum partido, afirmou ter ressalvas sobre a possibilidade de autorização para candidaturas independentes no Brasil. O STF (Supremo Tribunal Federal) fará audiência pública sobre o tema em dezembro e julgará uma ação sobre a possibilidade de permitir a candidatura de pessoas sem filiação.

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“Não sei se candidaturas independentes, neste momento, com mais de 30 partidos, iriam contribuir”, considerou Huck. Ele apontou a necessidade de uma reforma política ampla, para instituir o sistema de voto distrital puro ou misto e fortalecer os partidos.

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“Para que [as legendas] sejam em menor número, para que não sejam plataformas fisiológicas de venda de tempo na televisão, ou de pura e simplesmente negociações políticas”, argumentou. O parlamentarismo, analisou, também poderia ser um sistema viável no Brasil.

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Huck evitou criticar o governo Jair Bolsonaro (PSL), depois que o presidente rebateu críticas anteriores dele e o acusou de ser “parte do caos” por ter comprado um jatinho com financiamento do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).

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Sem citar o nome do presidente, o apresentador afirmou que os eleitores em 2018 “depositaram muita esperança” em um salvador da pátria, “no que a gente está vivendo neste momento”, e falou que promessas exageradas foram feitas “no último ciclo eleitoral”.

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Huck ainda opinou sobre o risco de eclodirem manifestações de rua no Brasil como as que têm atingido países na América Latina e em outras regiões, com espírito semelhante ao das jornadas de junho de 2013.

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Para ele, o risco imediato é baixo, mas há possibilidade de protestos a longo prazo se “a vida não melhorar para valer” e a população sentir um distanciamento entre o que governos e políticos prometem e o que entregam concretamente.

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Nesse ponto, ele insistiu na necessidade de enfrentar a crescente desigualdade no país e disse que o ex-presidente Lula (PT) é muito respeitado, sobretudo no Nordeste, onde muitas das melhorias de vida para a população pobre ocorreram nos anos do petista.

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Contando o exemplo de uma viagem que fez ao Piauí para gravar seu programa de TV, disse que “o Lula é muito respeitado lá, mas muito respeitado”. Mas pontuou que os avanços na região foram frutos de duas gestões: a do PT e a de Fernando Henrique Cardoso (PSDB).

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“Muito da política que veio da dona Ruth [Cardoso]. Tem uma herança de dois governos que trabalharam de maneira contínua nos projetos de proteção social.”

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Apoiador dos grupos RenovaBR e Agora!, ele repisou o discurso de que tem buscado atuar politicamente por meio dos movimentos cívicos e se disse contra antecipar o debate sobre sucessão presidencial.

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“Estou me colocando como um cidadão ativo. Entrar nesse ringue agora do debate personificado eu acho, de verdade, que não contribui”, declarou, cobrando um foco maior sobre a solução dos problemas mais imediatos do país no lugar da especulação eleitoral.

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Instado a falar sobre redes sociais, o apresentador disse ser vítima de ataques em massa e compartilhou a impressão de que o ambiente virtual está mais agressivo que a vida real.

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“Eu estou sendo atacado ferozmente nas redes nesses últimos três meses”, relatou. “A temperatura nas redes sociais no Brasil hoje não é a das ruas, mesmo. E esse é um problema que a gente vai ter que enfrentar.”

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Para Huck, a polarização política, embora negativa, pode indicar novas rotas. “Talvez não esteja trazendo uma consequência imediata positiva para a democracia, mas está todo mundo falando disso. Então vamos aproveitar e apontar um caminho possível.”

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Em sua participação no 12º Encontro de Líderes da Comunitas, o apresentador conversou no palco com o empresário Carlos Jereissati Filho (grupo Iguatemi), que é seu colega no movimento Agora! e também sobrinho do senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), um dos políticos experimentados que têm dialogado com Huck sobre candidatura.

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Ao longo de sua fala, o comunicador reiterou que na plateia estava uma parte dos líderes atuais que mais admira – alguns, inclusive, se tornaram seus interlocutores frequentes.

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Pelas mesas se espalhavam políticos como o ex-governador do Espírito Santo Paulo Hartung (sem partido) e os governadores do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), do Pará, Helder Barbalho (MDB), e de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM).

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Também ouviram Huck: os empresários Guilherme Leal (Natura) e Rubens Ometto (Cosan), deputados do Partido Novo e o ex-senador Jorge Bornhausen, a quem o apresentador agradeceu pela maneira como foi tratado, com “palavras gentis”, em entrevista publicada pela Folha de S.Paulo.

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Bornhausen disse ao jornal que o centro político vai apoiar Huck, e não João Doria (PSDB), contra o PT e Bolsonaro em 2022.