O inverno no Hemisfério Sul começa exatamente às 5h25 do próximo domingo (21/6), mas será diferente dos anos anteriores. Por causa do fenômeno El Niño e, na sequência, da possibilidade do Super El Niño, os brasileiros vão sentir menos o frio pelos próximos três meses, segundo estudo da consultoria em meteorologia Nottus divulgado nesta quinta (18/6).
O El Niño ocorre quando há o aquecimento anormal da região equatorial do Oceano Pacífico. A elevação da temperatura do mar em 0,5 grau Celsius (C°) acima da média já caracteriza a condição.
A partir de setembro (ou seja, no fim do inverno) até fevereiro de 2027, existe grande chance de o El Niño ser muito forte. O fenômeno é chamado de Super El Niño, e o governo federal criou uma Sala de Situação Interministerial para gerenciar possíveis desastres.
O que é o Super El Niño
O fenômeno do Super El Niño ocorre quando a elevação da temperatura da água supera 2,5 C°. Ele acontece quando as águas superficiais da região central e leste do Oceano Pacífico Equatorial ficam muito mais quentes do que o normal por vários meses consecutivos.
Esse aquecimento altera a circulação atmosférica global, afetando padrões de chuva, temperatura e ocorrência de eventos extremos em vários continentes.
Embora o El Niño seja um fenômeno relativamente comum e apareça em intervalos de dois a sete anos, os episódios classificados como “super” mais são raros. Especialistas destacam que o aquecimento global não causa diretamente o El Niño, mas pode potencializar seus efeitos.
Com temperaturas médias mais altas em todo o planeta, um Super El Niño tende a contribuir para novos recordes de calor, ampliando os desafios relacionados a eventos climáticos extremos e à adaptação das cidades e economias às mudanças do clima.
Entenda o inverno no Brasil em 2026
No Brasil, a temporada será marcada pela concentração de chuva além no normal na região Sul, enquanto as precipitações ficam mais curtas e menos intensas no Norte e Nordeste, favorecendo a chance de secas.
De acordo com o sócio-diretor e meteorologista da Nottus, Alexandre Nascimento, o inverno deve começar com temperaturas mais baixas, mas “os efeitos do El Niño devem frear as baixíssimas temperaturas neste ano, principalmente de agosto em diante”.
A percepção pode ser de um inverno mais ameno, informou ele. “El Niño não tem frio? Tem, mas são eventos curtos, muito rápidos”, disse.
Ele apontou que algumas áreas da região central do País devem ter a presença dos veranicos, como são chamados os períodos de tempo seco e temperaturas atipicamente elevadas, que ocorrem no meio do outono ou inverno.
Próximos meses de inverno
Ainda conforme a consultoria, julho deve ser marcado pelo volume de chuva acima da média entre as regiões Sudeste e Centro-Oeste. No Sul, a chuva ganha força a partir das áreas do interior.
Já agosto deve ter maiores concentrações de chuva no extremo norte do País. Entre Minas Gerais, Goiás e no interior do Nordeste, aos poucos se estabelece o período seco, típico desta época do ano.
Para setembro, o destaque fica para a chuva ganhando força no Sul, superando a média climatológica, enquanto o Nordeste terá precipitação abaixo da média ao longo das faixas leste e norte.
Mesmo com a previsão de chuva acima da média na pegião Sul, o meteorologista da Nottus não identifica, por ora, a chance de temporais como os que devastaram o Rio Grande do Sul em maio e abril de 2024.
“Sem previsão de eventos extremos, nada comparado àquilo, por enquanto”, destacou.
