Atualmente, bancos brasileiros retêm R$ 10,5 bilhões esquecidos por 47 milhões de clientes em contas inativas ou taxas indevidas. O Governo Federal transformou esse montante em alvo estratégico para o Desenrola 2.0, utilizando os valores não reclamados como garantia financeira.
O perfil de quem esquece dinheiro é variado, mas o Banco Central identifica um padrão: 63% dos saldos são de até R$ 10, a chamada “inércia do trocado”, em que o esforço do resgate desestimula o dono.
Por outro lado, cifras altas seguem paradas por pertencerem a falecidos cujos herdeiros desconhecem a herança. O fenômeno atinge desde a classe média, que perde o rastro de resíduos em múltiplas contas, até empresas inativas, que somam R$ 2,4 bilhões desse total.
Garantia para quem precisa de crédito
Com o aval do Legislativo, o Governo Federal converteu esse capital estagnado em função social, transferindo-o para o Fundo de Garantia de Operações (FGO) como um suporte financeiro.
Na prática, os valores esquecidos servirão de garantia contra inadimplências na nova etapa do Desenrola. O cenário revela um contraste marcante: o saldo de quem desconhece o próprio crédito financiando o resgate de famílias sufocadas por juros, em um país onde o endividamento doméstico já atinge 80,4%.
Prazo final para contestação
Com o encerramento do prazo de transferência nesta terça-feira (12/5), as instituições financeiras concluíram o repasse dos valores não reclamados ao Fundo de Garantia de Operações (FGO).
O governo agora publica o edital de chamamento, que abre a contagem regressiva de 30 dias para que os titulares contestem a movimentação.
Conforme as regras do Ministério da Fazenda, os montantes que não forem reivindicados dentro desse período serão incorporados definitivamente ao patrimônio do fundo.
