Os MCs Poze do Rodo e Ryan SP foram soltos na tarde desta quinta-feira (14/5) após a decisão da Justiça Federal no âmbito da Operação Narco Fluxo, investigação da Polícia Federal que apura um esquema bilionário de lavagem de dinheiro ligado ao mundo do entretenimento.
Os investigados ficaram presos por quase um mês. Marlon Brendon Coelho Couto da Silva ficou no presídio Joaquim Ferreira, um anexo da Cadeia Pública Pedrolino Werling de Oliveira, ou Bangu 8, no Complexo de Gericinó, em Bangu, na zona oeste do Rio. Já Ryan Santana dos Santos ficou preso na Penitenciária II de Mirandópolis, no interior da capital paulista.
Além dos MCs, também foram beneficiados pela medida os influenciadores Chrys Dias e Débora Paixão, além de Diogo Santos de Almeida.
A decisão foi tomada pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região, que estendeu aos artistas o habeas corpus concedido anteriormente ao empresário Henrique Alexandre Barros Viana, conhecido como “Rato”, ligado à Love Funk.
Mesmo com a revogação da prisão preventiva, a Justiça impôs medidas cautelares aos investigados: comparecer a todos os atos do processo; informar eventual mudança de endereço; comparecer mensalmente em juízo; não deixar a cidade onde mora por mais de cinco dias sem autorização judicial; não sair do país sem autorização da Justiça e entregar o passaporte, caso possua.
Operação Narco Fluxo investiga lavagem bilionária
De acordo com a Polícia Federal, a investigação começou após a análise de arquivos armazenados em nuvem ligados a Rodrigo Morgado, apontado como contador do esquema criminoso. Os dados teriam sido obtidos durante outra apuração, chamada Operação Narco Bet.
As investigações apontam que o grupo utilizava artistas, influenciadores digitais e empresas para ocultar a origem ilícita do dinheiro por meio de um mecanismo chamado “escudo de conformidade”.
Segundo a PF, o esquema funcionava em três frentes principais:
- Inserção de dinheiro sem origem comprovada por meio de venda de ingressos, produtos e ativos digitais;
- Uso de criptomoedas, dinheiro em espécie e transferências fracionadas para dificultar o rastreamento;
- Utilização de terceiros, familiares e empresas de fachada para esconder os verdadeiros responsáveis pelos recursos.
A apuração identificou uma movimentação financeira de cerca de R$ 1,6 bilhão em menos de dois anos. As estimativas da PF apontam que o esquema pode ter movimentado até R$ 260 bilhões.
