NASA usa Marte para chegar a asteroide de metal; entenda o impacto para a Terra

A sonda Psyche fará um rasante histórico por Marte esta semana. Entenda como essa manobra pode revelar os segredos da origem da Terra

Asteroide

Asteroide | NASA/JPL-Caltech/ASU

Enquanto a maioria de nós olha para o céu noturno em busca de estrelas, a NASA está focada em um objeto muito mais sólido, brilhante e, teoricamente, valioso.

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Esta semana, a espaçonave Psyche protagoniza um dos capítulos mais emocionantes da exploração espacial contemporânea: um “estilingue gravitacional” em Marte que a colocará na rota direta para um asteroide que desafia tudo o que sabemos sobre a formação do nosso sistema solar.

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Diferente das rochas espaciais comuns, compostas de gelo ou poeira, o alvo da missão é uma montanha de metal flutuante.

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Mas não se engane pelo brilho metálico; para os cientistas, o verdadeiro tesouro não é o valor comercial, mas as respostas sobre o coração do nosso próprio planeta.

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Rasante em Marte

Para alcançar seu destino final no cinturão de asteroides entre Marte e Júpiter, a sonda Psyche precisa de um empurrãozinho da física.

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Nesta sexta-feira, o veículo robótico passará a meros 4.500 quilômetros da superfície de Marte — uma distância comparável à travessia entre o Oiapoque e o Chuí.

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Essa aproximação estratégica permite que a sonda utilize a gravidade do Planeta Vermelho para ganhar velocidade, atingindo impressionantes 19.848 km/h.

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É o chamado “impulso gravitacional”, uma técnica que economiza combustível e acelera uma viagem que ainda deve durar mais três anos.

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O “Test Drive” Fotográfico

Embora o objetivo principal seja o impulso, a NASA não perderá a chance de praticar. Todos os instrumentos científicos da Psyche serão ligados durante o sobrevoo.

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As câmeras de alta resolução já começaram a capturar Marte, que aparece inicialmente como uma elegante crescente e, após a passagem, se revelará como uma esfera completa.

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Essa sessão de fotos serve para dois propósitos fundamentais:

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  • Calibragem: Ajustar a precisão dos sensores para o encontro final em 2029.

  • Colaboração Científica: Os dados capturados pela Psyche serão comparados simultaneamente com as observações dos robôs que já estão em Marte e dos satélites que orbitam o planeta, criando um mapa climático e geológico sem precedentes.

Anomalia cósmica

O asteroide Psyche é uma anomalia cósmica. Com o formato que lembra uma batata gigante de 278 quilômetros de comprimento, ele é composto majoritariamente de níquel e ferro.

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Os cientistas acreditam que ele não seja apenas uma rocha, mas o núcleo exposto de um antigo planeta que nunca chegou a se formar completamente.

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Bilhões de anos atrás, colisões cósmicas violentas podem ter arrancado as camadas rochosas externas (o manto e a crosta) desse “embrião planetário”, deixando apenas o seu coração metálico à mostra.

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Como o núcleo da Terra está escondido sob milhares de quilômetros de rocha e pressão extrema, estudar o Psyche é, na prática, fazer uma viagem ao centro da Terra sem precisar cavar um único centímetro.

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Marco tecnológico

A jornada da Psyche, iniciada em 2023, é um marco tecnológico. Do tamanho de uma van, a espaçonave utiliza propulsão elétrica solar.

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Em vez de foguetes convencionais de combustão, ela usa propulsores de gás xenón, que emitem um brilho azulado futurista.

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É uma forma de viagem lenta, porém extremamente eficiente e constante, ideal para cobrir as vastas distâncias do sistema solar exterior.

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Ao chegar ao seu destino em 2029, a sonda entrará em órbita por dois anos, mapeando a superfície metálica, analisando o campo magnético e tentando entender se este objeto realmente guarda as peças que faltam no quebra-cabeça da origem da vida e da formação dos planetas rochosos como o nosso.